terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O Espelho - Parte 1

Era a imagem mais fidedigna que já havia visto. Límpida e definida, tanto quanto a própria realidade, em sí própria, era. Não havia sobre ele uma única partícula, qualquer poeira acumulada ou gordura agregada, o que intimidava o toque de qualquer curioso. Afinal, não era difícil duvidar de que era mesmo uma imagem formada da reflexão da luz ao seu redor. Blankh enfrentava esse dilema quando fora interrompido por uma ríspida voz.

"Pois então?", indagava o velho homem ao fundo da sala. Trajava uma longa capa, como faziam os monges daquele local, por onde parecia se esconder. Não possuía um único fio de cabelo, mas eram compensados por sua longa barbada trançada. Demonstrava sua impaciência com a demora do jovem ao mesmo tempo em que parecia eufórico por seu interesse pelo místico artefato. Levantou-se, então, lentamente e o dirigiu a palavra: "É este mesmo. É exatamente isso.", dizia Blankh sem tirar seus olhos da peça. "Irei ao banco aqui próximo buscar o ouro e já retornarei para concretizar o nosso negócio.", disse lentamente.

Ouvira apenas um misterioso sussuro do homem. Blanhk percebeu que, pela primeira vez desde que vira o espelho, conseguira olhar para fora de seu reflexo e encarar os olhos fortes do vendedor. Infelizmente, não obtivera a resposta que esperava. A expressão do homem não mudou com a alta oferta financeira que fizera, não possuia nenhum interesse. "Escute atentamente.", respondeu, "O Espelho não está a venda.". Uma baixa e discreta risada do garoto interrompia o discurso: "Como não? Eu disse o que eu queria e você me mostrou esse, agora não vai me vender?".

Mostrava total descontentamento e confusão quanto a declaração do sombrio comerciante. "Eu não disse que o venderia a você, apenas o mostrei.", retrucou de forma calma ao afobado garoto. Não esperava conseguir acalmá-lo, mas parecia já ter conseguido cumprir com o seu objetivo. Sem perceber, o cavaleiro de cabelo dessarumado havia entrado em um perigoso jogo de desejo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Feliz Natal !!!

Hoje é o dia em se comemora, nas religiões cristãs, o nascimento de Jesus Cristo. Não obstante, esta data se tornou, para a nossa civilização ocidental, um verdadeiro momento de confraternização.Existe, é claro, toda uma questão comercial envolvida, especialmente quando o assunto é a troca de presentes, mas não vou desmerecer nossa comemoração do fim do ano.

Enfim, não tenho muito a dizer. A comida é boa, uma bola de basquete, um edredon, vários telefonemas e filmes clichês de natal na tv.

Espero estar de volta logo, conseguindo escrever algo que realmente venha a valer a pena ser lido.
Sim senhores, feliz Natal a todos!!!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Teatro dos Sonhos

Seria fácil decidir qual banda eu mais ouvi durante esse ano: Dream Theater.


Resolvi, então, fazer uma matéria especial sobre a discografia desta banda que eu aprendi a gostar. Às vezes temos que dar uma chance aos nossos ouvidos para aprenderem a apreciar a música diferente da nossa habitual. Se você der uma chance as viagens sonoras desses caras, não irá se arrepender depois que aprender a ouvir.

Farei uma breve narrativa sobre cada álbum em suas respectivas ordens de lançamento e me darei por satisfeito se convencer a um único leitor de escutar estas obras.




  • 1989 - When Dream And Day Unite : O Primeiro Passo

Talvez esse fosse um álbum que não chamasse a menor atenção se não fosse por seu sucessor, mas ainda digo que há muito de Dream Theater nele.

O melhor exemplo é "The Killing Hand", onde a banda exibe sua primeira composição dividida em diferentes atos.

A primeira canção instrumental também está nele, The Ytse Jam (Majesty ao contrário), onde os fantásticos intrumentistas mostram seu talento.

"Afterlife" e "Only A Matter Of Time" são duas incríveis canções guardadas neste álbum, que apenas peca pela falta de recursos na sua produção, mas apesar da falta de brilho já indica o caminho que se seguiria.




  • 1992 - Images And Words : A Obra Prima

É um dos melhores álbums que eu já ouvi em toda a minha vida, e não há nele uma única música que não seria colocada entre as melhores da banda.

De "Pull Me Under" e sua batida viciante, o maior sucesso deles; dos solos incríveis de Petrucci em "Another Day" e "Under a Glass Moon"; das jams de "Metropolis Pt. 1: The Miracle and The Sleeper"; da belíssima "Surrounded"; da delicada "Wait For Sleep"; de "Learning to Live", que tem o melhor de todas as outras músicas.

Esse é um disco para ser apreciado em sua essência, de cada palavra a cada fraseado. "Images and Words" é indispensável para qualquer pessoa que gosta de música.





  • 1994 - Awake : A Força

Se o grande desafio de um músico é fugir de um modelo musical em cada novo trabalho, o Awake convence qualquer um da qualidade criativa destes caras.

Não seria possível imaginar que depois do belo álbum que o antecede, surgisse algo tão poderoso assim. Recheado de canções de peso como "Voices", "The Mirror" e "Lie"; com os rasgados de LaBrie em "6:00", "Caught in a Web" e "Scarred"; com as belas "Innocence Faded" e "The Silent Man"; com os sonhos de John Myung em "Lifting Shadows Off A Dream", que traz com ela, além de uma bela melodia e trabalho nas linhas de baixo e guitarra, uma letra muito interessante sobre a dualidade do homem.

Aqui foi decretado que para eles não existem limites musicais.





  • 1995 - A Change Of Seasons: A Vida

Mesmo não sendo um álbum de estúdio oficialmente, este EP merece o seu destaque aqui. Não apenas pelos belos covers de Led Zeppelin, Deep Purple, Pink Floyd, entre outros, mas pela canção que leva o seu nome.

"A Change Of Seasons" é uma das canções que eu mais gosto, de todas. Já provei de todos os sentimentos possíveis ao seu som, e a todos ela foi satisfatoriamente descritiva. Composta por Portnoy em homenagem a sua mãe que havia falecido, são os 23 minutos e 6 segundos que me convenceram, definitivamente, a gostar da música peculiar destes caras.

A canção narra a história de uma vida, tendo suas passagens de acordo com as estações do ano. A construção é muito interessante, tendo passagens intrumentais que indicam a mudança da estação e uma bela letra em toda ela.




  • 1997 - Falling Into Infinity : O Sentimento

Talvez este seja um dos álbuns mais contraditórios da banda que muitos reclamam do excesso de virtuosismo e falta de 'feeling'. O que ouvimos aqui é bem diferente deste stigma habitual sobre o progressivo.

Do lado mais pop em "You Not Me" a furiosa "Burning My Soul", este álbum é um exemplo a amplitude sonora deles. O lado mais emocional aparece em "Hollow Years", "Lines in the Sand" e "Anna Lee". O brilho especial é dado pela belíssima "Trial of Tears", que o encerra, e "Peruvian Skies", que mostra um das melhores composições em termos rítmicos.

Talvez não seja o álbum mais Dream Theater deles, mas não deixa a desejar perto de nenhum dos outros.




  • 1999 - Metropolis Pt. 2: Scenes From A Memory : A História

Esse é, sem muitas dúvidas, o álbum mais belo da banda. "Metropolis Part. 2", continuação da canção lançada no "Images and Words", seria apenas uma canção no novo registro, mas acabou se tornando um único disco.

Este conta a história de Nicholas, que se submete a uma regressão, onde encontra Victoria, quem era em outra vida, e começa a compreender sua natureza através dos olhos dela.

Notas para as grudentas "Strange Dejá Vù", "Beyond This Life" e a quase árabe "Home", que são daquelas difíceis de tirar da cabeça por semanas. Há espaço para as tranquilas "Through Her Eyes", excelente vocal, e "The Spirit Carry On", com mais um solo daqueles de John Petrucci. Se encerra em "Finally Free", que relê alguns momentos da obra inteira, e dá um belo encerramento a história.



  • 2002 - Six Degrees Of Inner Turbulence : O Colosso

Este álbum, de tão gigantesco, foi gravado em dois diferentes discos, e assim irei tratá-los.

O primeiro trás cinco canções fortes, das indispensáveis do repertório. "The Glass Prision" é uma pancada das melhores, contendo um solo surreal de Petrucci e Rudess. Há ainda a bela "Misunderstood", uma das minhas canções favoritas deles, e as desconcertantes "Blind Faith" e "The Great Debate".

O segundo disco trás consigo os seis passos da turbulência interna. O que ele conta são, na verdade, seis distúrbios da mente humana. "About to Crash" e sua mais leve "Reprise" lidam com transtorno bipolar. As pesadas "War Inside My Head" e "The Test That Stumped Them All" falam sobre estresse pós-traumático e esquizofrenia, respectivamente. A emocional "Goodnight Kiss" canta sobre a depressão pós-parto, o que eu não tenho a menor idéia de como eles escreveram. A divertida "Solitary Shell" fala sobre autismo e, para encerrar, temos "Losing Time" cantando transtornos de personalidade.

Este segundo pode ser tratado como uma música só, mas convenientemente foi dividido em várias. É a obra mais extensa e dramática, com a ótima abertura por "Overture", sendo o álbum majestral que não pode ser dispensado.



  • 2003 - Train Of Thought : O Peso


Antes que alguém lhe diga que eles não tocam o tal "heavy metal pesado de verdade", mostre-lhe este disco. Não sei como esta fúria súbita domou a música destes caras, mas aconteceu e gerou um dos álbuns mais especiais.

Recheado de canções marcantes, como
as viciantes "As I Am" e "In The Name of God", e da viajante canção instrumental "Stream of Consciouness", talvez seja o álbum que exija mais estômago do ouvinte, sendo mais cansativo que os anteriores, porém não menos bem trabalhado.







  • 2005 - Octavarium : O Ciclo

À primeira audição, soa como uma concha de retalhados, possuindo canções longas e muito boas, porém se qualquer ligação. Isso seria verdade se não fosse pela própria "Octavarium", que fecha a obra dando conexão a todas as outras músicas. Pelo mais que tenha seus vinte e poucos minutos de música, não consegue ser cansativa ou enrolativa para quem a ouve, especialmente pela introdução no Continuum de Rudess e o solo em "Razor's Edge" de toda a alma de Petrucci.

Todas as canções mereceriam uma atenção especial, mas aqui destacarei a totalmente insana "Panic Attack", a "U2" "I Walk Beside You", e as agitadas "These Walls" e "Never Enough".

É um álbum para se ouvir música a música, e curtir cada uma delas.




  • 2007 - Systematic Chaos : O Obscuro

Direto da profundeza escura e caótica da música, saiu este mais recente álbum. Em "In The Presence Of Enemies", temos mais um show de composições longas, mas dessa vez mais movidas por uma cadeia nefasta e furiosa do que pelo sentimentalismo.

Este mesmo sentimento é observado em "The Dark Eternal Night", "The Ministry Of Lost Souls" e na quase Opeth "Repetance".

Em meio a este lado mais sombrio, podemos ouvir a bela "Forsaken", em especial pelo riff com os harmônicos de Petrucci, e "Constant Motion" que realmente não consegue deixar ninguém parado.

O último álbum até agora lançado traz um lado menos explorado da banda, mas que traduz bem o que já foi feito por estes caras em termos de força musical.





Pois bem, essa é a banda. Se uma única frase desta te agradou, procure uma das músicas que eu citei no YouTube e conheça o mundo mágico e infinito do Dream Theater.



domingo, 14 de dezembro de 2008

Transformação



Daqui a alguns anos...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Down to Earth

Da animação mais legal de todas: Wall-E.



Did you think that your feet had been bound
By what gravity brings to the ground?
Did you feel you were tricked
By the future you picked?
Well come on down

All these rules don't apply
When you're high in the sky
So come on down
Come on down

We're coming down to the ground
There's no better place to go
We've got snow upon the mountains
We've got rivers down below
We're coming down to the ground
To hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
(Come) send the seeds out in (the deep?)

Did you think you'd escaped from routine
By changing the script and the scene?
Despite all you made of it
you're always afraid of the change

You've got a lot on your chest
Well you can come as my guest
So come on down
Come on down

We're coming down to the ground
There's no better place to go
We've got snow upon the mountains
We've got rivers down below
We're coming down to the ground
We'll hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
(Come?) send the seeds out in (the deep?)

Like the fish in the ocean
We felt at home in the sea
We learned to live off the good land
We learned to climb up a tree
then we got up on two legs
But we wanted to fly
When we messed up our homeland
and set sail for the sky

We're coming down to the ground
There's no better place to go
We've got snow upon the mountains
We got rivers down below
We're coming down to the ground
We'll hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
send the seeds out in th

We're coming down
Comin' down to earth
Like babies at birth
Comin' down to earth

Redefine your priorities
These are extraordinary qualities

We're coming down to the ground
There's no better place to go
We've got snow upon the mountains
We've got rivers down below
We're coming down to the ground
We'll hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
(Come) send the seeds out in (The deep?)

We're coming down to the ground
There's no better place to go
We've got snow upon the mountains
We've got rivers down below
We're coming down to the ground
We'll hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
(Come) send the seeds out in (the deep?)


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Os links do G1

"Link falso de reportagem do G1 circula pela internet

Uma reportagem do G1 sobre a morte do ex-PM Marcelo Silva, com link adulterado, está circulando pela internet.

O link é falso, mas dá acesso a uma reportagem verdadeira.

O link falso, com termos chulos, é:
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL919341-5606,00-MARCELO+SILVA+SE+FODEU+BONITO.html

O link verdadeiro do G1 é:
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL919341-5606,00-DELEGADO+DIZ+QUE+MARCELO+SILVA+CONSUMIU+COCAINA+ANTES+DE+MORRER.html


Os dois links levam para a mesma notícia, que está correta e não usa palavra de baixo calão.

Leitores entraram em contato com a redação e questionaram a existência do link.

Em virtude dessas manifestações de leitores, o G1 esclarece que não é o autor do link."


Novidade hein G1 ?!?!

Lembram-se de http://streamofwishfulthoughts.blogspot.com/2008/07/adeus-souza.html ?


Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL919804-5606,00-LINK+FALSO+DE+REPORTAGEM+DO+G+CIRCULA+PELA+INTERNET+PORQUE+QUALQUER+IDIOTA+PODE+ESCREVER+AQUI+QUE+FUNCIONA.html

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Stand By Me



When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see
No I won't be afraid, no I won't be afraid
Just as long as you stand, stand by me

And darling, darling stand by me, oh now now
Stand by me
Stand by me, stand by me

If the sky that we look upon
Should tumble and fall
And the mountains should crumble to the sea
I won't cry, I won't cry, no I won't shed a tear
Just as long as you stand, stand by me

And darlin', darlin', stand by me, oh stand by me
Stand by me, stand by me, stand by me, yeah

Whenever you're in trouble won't you stand by me,
Oh now now stand by me
Oh stand by me, stand by me, stand by me

Darlin', darlin', stand by me, stand by me
Oh stand by me, stand by me, stand by me.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O Novo Wal Mart Campinho


Eu nunca imaginaria como um supermercado seria capaz de incomodar a minha singela existência. Até parecia bastante interessante essa alimentação do comércio local com um mercado de peso, para competir com a falida Sendas e o pífio Prezunic, entretanto, apenas o caos está sendo abastecido.

Até era compreensível o problema criado no trânsito durante o período de construção, afinal, é até inevitável uma mudança no fluxo dos carros da região. Meu único desejo era que não se espalhasse depois do fim das obras, e adivinhem o que aconteceu?

Foi uma idéia genial. Começo do último mês do ano, todo indivíduo recebendo seu pragmático décimo terceiro, um novo e chamativo empreendimento comercial e, claro, promoções totalmente surreais. Assim sendo, todos os ocupados e semi-desocupados da região resolveram pegar seus malditos veículos automotores particulares e partir em carreata, como se o próprio Papai Noel tivesse chegado.

Então vamos voltar a boa e velha matemática. Considerando o estado atual do trânsito da região, como eu mesmo digo, já era um milagre não ter problemas desse nível, temos as seguintes variáveis: quantidade de ruas, com suas quantidades de pistas agregadas; número de veículos transitando; velocidade dos veículos. Aumentamos o número de veículos em uma via e, logo, criamos um problema. Aumentamos agora em duas vias, sendo uma delas, da genial saída do estacionamento, minúscula, mais do que um problema. Imagine agora aumentar o número de veículos e ainda colocá-los em uma fila a espera de vaga no estacionamento? Sim senhores, lhes apresento o caos.

Desta forma, travaram todas as principais vias de trânsito aqui da região e, eu, mero mortal tentando chegar a faculdade e voltar para casa, tenho pago todos os meus pecados neste trajeto. Nos últimos dois dias, perdi vários minutos úteis da minha vida em um engarrafamento sem sentido (e sem opção) indo e percorri a pé o trajeto dois-pontos-antes-do-viaduto-de-Cascadura até a minha casa, na hora da volta.

Haja disposição. Tanto para mim, quanto para quem se estapeia por uma televisão de 42" dentro do Wal Mart.
Espero que o caos passe, afinal, uma hora a variável quantidade de dinheiro da população (que eu propositadamente não citei) chega ao seu fim, tal qual a procura por produtos. Do contrário, perderam um cliente. Talvez até, vários.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Vai um GuaraGay aí, Campeão?!


Não, não é apenas o Campeão que está de volta com seus inacreditáveis croissants gigantes, que desafiam toda a crise econômica mundial e se mantém no mesmo preço.

O maior sucesso do Departamento de Química Analítica agora também está de volta!!!

Graças ao Topeira e seus amigos (sem esquecer de citar a importância vital de Che Guevara, que era médico e derramou muito sangue...), uma das maiores lendas do IQ retorna ao seu apogeu!

Corram até o bloco E e garantam já o seu, antes que o pessoal do quinto andar compre tudo!

Um Carinha Bem Peculiar



Ele está de volta !!!!

Férias de Verão 08'-09' : Tudo para fazer!

Talvez o melhor das férias seja justamente esse sabor de liberdade. Não sei exatamente quando começou, mas esta palavra tem um sabor especial para todo ser humano. Essa mesma liberdade nos gera um impulso intrínseco de fazer todo o tipo de coisa que não poderíamos fazer em condições normais.

Resolvi listar, então, todas as coisas que eu pretendo fazer nessas férias, mesmo sabendo que não farei quase nenhuma.

  • Quanto ao computador:
  1. Gravar em DVD's todas as coisas superfulas que estão entupindo meu disco rígido;
  2. Organizar as discografias pendentes;
  3. Instalar o Windows XP original e o Ubuntu 8.10;
  4. Instalar os programas essenciais neles;
  5. Instalar os compiladores de FORTRAN e C nos dois;
  6. Instalar e compilar os programas de estrutura e modelagem (ORCA, GAMESS, MacMolPlot, Avogrado, Molden...);
  7. Estudar a apostila de FORTRAN que eu já imprimi;
  8. Arrumar material para estudar Perl;

  • Quanto a faculdade:
  1. Fazer "Métodos Físicos de Análise Orgânica";
  2. Escrever o projeto da Iniciação Científica para mandar para a Reitoria;
  3. Organizar meu material do período passado;
  4. Devolver os livros emprestados;
  5. Fechar os contatos e material de divulgação da COSQ;
  6. Organizar o projeto das planilhas;
  7. Curso de Férias na PUC;

  • Quanto a todo o resto:
  1. Terminar de aprender a tocar "Always with me, always with you";
  2. Ir a academia diariamente;
  3. Ler todos os muitos livros da minha pilha;
  4. Passar mais tempo com os amigos difíceis de ver;
  5. Namorar;
  6. Passar algum tempo sem fazer absolutamente nada;

É, acho que tenho ação suficiente para as minhas férias!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A Caixa de Pizza Voadora


Eis que eu chegava à minha rua em um dia um bocado atípico. De prova final de quântica à um buraco na camisa pelo imbecil do cara do ônibus, parecia que nada mais poderia me atingir. Só parecia.

Caminhava calmamente após atravessar a rua com um trânsito peculiar, causado pelo tal Pagode do Trem, quando fui surpreendido por uma forte ventania. Tão forte fora que, como se em um Sand-Attack clássico dos Pidgeys de Vermillion, obrigado fui a fechar meus olhos. Eis que, um abençoado pedaço de papelão que antes servira como célebre recipiente para uma das mais apetitosas refeições, a pizza, fora carregado junto com esta. Tal qual fora a vaca no Twister, ele rodopiava no ar e se dirigia a mim violentamente, guiado pelo vácuo dos carros estacionados.

Sim senhos, eis que fui atingido. A cor rubra logo se espalhou pelo meu antebraço e num misto de surpresa e fúria, me rendi às gargalhadas.

Nada mais épico do que isso.
Definitivamente.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

100

Sim senhores, chegamos a idéia de número 100 !!!

Talvez não tenham lido nenhuma, mas o importante é que eu as escrevi.
Espero ter conseguido desencadear meus pensamentos de forma, ao menos, organizada nestes cem relatos anteriores.

Assim sendo, vamos em direção ao próximo número místico !!!!

domingo, 30 de novembro de 2008

Embrulhe seu lixo...

... antes de jogal-o no tubo.

Tudo é possível no Centro da Cidade, definitivamente.

sábado, 29 de novembro de 2008

Iron Maiden 2009




Porque todo mês de março é o mês do heavy metal?

Desde que eu entrei na faculdade, os anos letivos são abertos com shows fantásticos. Foi Angra, com o Temple of Shadows na íntegra, Blind Guardian, Dream Theater e agora o Iron Maiden !!!

Eles fecharão a turnê do "Somewhere Back In Time", tocando os maiores clássicos das melhores épocas, passando por aqui de novo, e eu estarei lá. O show no Rio de Janeiro será em 14 de Março, na Apoteose. Preparemo-nos para a facada.

Em outra oportunidade contarei a história de como o Iron Maiden entrou na minha vida, e de lá para cá muita coisa aconteceu.

Sim, eu estou eufórico, e olha que ainda faltam meses até lá.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Fortes emulsões

Com o perdão do péssimo trocadilho, mas os últimos tempos tem sido assim para todos.

Dê uma caneta a um moleque e lhe dê o direito de julgar você. Sabe o resultado?
Não pode contar com a justiça dos homens, que dirá de um garotinho juvenil, criado a leite de moça e guaranazinho na geladeira. Bem, talvez um Away reitor fosse a solução dos nossos problemas.

Nos perguntamos se devemos dar ouvido a essas pessoas. De verdade, não devemos. Parece muito simples, e meramente filosófico, mas é uma opção de ponto de vista. E eu ressalvo, o mundo não se limita à ilha do Fundão. Pelo mais que, para muitos, isso se trate de uma fé.

Enfim, o período se aproxima do fim. Que as sombras descansem e nos deixem viver em paz por algum tempo.



quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Motorista

Mesmo sem muito tempo, venho aqui relatar minha aventura do dia. Hoje, a terrível saga da auto-escola chegou ao fim para mim. Pelo mais temeroso que tenha sido repetir a prova de direção, tudo ocorreu bem. Minhas cinco horas de espera em baixo do sol foram recompensadas.

Claro que não teria tido a menor graça sem a emoção de deixar o carro morrer na baliza e ficar o caminho inteiro teimando que olhei para o retrovisor e dei as setas. Até que os examinadores, dessa vez, eram muito gente boa.

Então sociedade, se prepare.
Só falta o carro.
Pelo menos tenho a sensação de dever cumprido, e de nunca mais ter que ir na auto-escola de novo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Logo da XVII Semana da Química


Aí está!

E dessa vez, sem chamar profissionais para refazer o meu trabalho. Aliás, meu e do Leon.

Que chegue a Semana, e até lá, haja trabalho!

sábado, 22 de novembro de 2008

Ainulindalë, A Música dos Ainur

Havia Eru, o Único, que em Arda é chamado de Ilúvatar. Ele criou primeiro os Ainur, os Sagrados, gerados por seu pensamento, e eles lhe faziam companhia antes que tudo o mais fosse criado. E ele lhes falou, propondo-lhes temas musicais; e eles cantaram em sua presença, e ele se alegrou. Entretanto, durante muito tempo, eles cantaram cada um sozinho ou apenas alguns juntos, enquanto os outros escutavam, pois cada um compreendia apenas aquela parte da mente de Ilúvatar da qual havia brotado e evoluía devagar na compreensão de seus irmãos. Não obstante, de tanto escutar, chegaram a uma compreensão mais profunda, tornando-se mais consonantes e harmoniosos.

E aconteceu de Ilúvatar reunir todos os Ainur e lhes indicar um tema poderoso, desdobrando diante de seus olhos imagens ainda mais grandiosas e esplêndidas do que havia revelado até então; e a glória de seu início e o esplendor de seu final tanto abismaram os Ainur, que eles se curvaram diante de Ilúvatar e emudeceram.

Disse-lhes então Ilúvatar: - A partir do tema que lhes indiquei, desejo agora que criem juntos, em harmonia, uma Música Magnífica. E, como eu os inspirei com a Chama Imperecível, vocês vão demonstrar seus poderes ornamentando esse tema, cada um com seus próprios pensamentos e recursos, se assim o desejar. Eu porém me sentarei para escutar; e me alegrarei, pois, através de vocês, uma grande beleza terá sido despertada em forma de melodia.

E então as vozes dos Ainur, semelhantes a harpas e alaúdes, a flautas e trombetas, a violas e órgãos, e a inúmeros coros cantando com palavras, começaram a dar forma ao tema de Ilúvatar, criando uma sinfonia magnífica; e surgiu um som de melodias em eterna mutação, entretecidas em harmonia, as quais, superando a audição, alcançaram as profundezas e as alturas; e as moradas de Ilúvatar encheram-se até transbordar; e a música e o eco da música saíram para o Vazio, e este não estava mais vazio. Nunca, desde então, os Ainur fizeram uma música como aquela, embora tenha sido dito que outra ainda mais majestosa será criada diante de Ilúvatar pelos coros dos Ainur e dos Filhos de Ilúvatar, após o final dos tempos Então, os temas de Ilúvatar serão desenvolvidos com perfeição e irão adquirir Existência no momento em que ganharem voz, pois todos compreenderão plenamente o intento de Ilúvatar para cada um, e cada um terá a compreensão do outro; e Ilúvatar, sentindo-se satisfeito, concederá a seus pensamentos o fogo secreto.

Agora, porém, Ilúvatar escutava, sentado, e por muito tempo aquilo lhe pareceu bom, pois na música não havia falha. Enquanto o tema se desenvolvia, no entanto, surgiu no coração de Melkor o impulso de entremear motivos da sua própria imaginação que não estavam em harmonia com o tema de Ilúvatar; com isso procurava aumentar o poder e a glória do papel a ele designado. A Melkor, entre os Ainur, haviam sido concedidos os maiores dons de poder e conhecimento, e ele ainda tinha um quinhão de todos os dons de seus irmãos. Muitas vezes, Melkor penetrara sozinho nos espaços vazios em busca da Chama Imperecível, pois ardia nele o desejo de dar Existência a coisas por si mesmo; e a seus olhos Ilúvatar não dava atenção ao Vazio, ao passo que Melkor se impacientava com o vazio. E, no entanto ele não encontrou o Fogo, pois este está com Ilúvatar. Estando sozinho, porém, começara a conceber pensamentos próprios, diferentes daqueles de seus irmãos.

Alguns desses pensamentos ele agora entrelaçava em sua música, e logo a dissonância surgiu ao seu redor. Muitos dos que cantavam próximo perderam o ânimo, seu pensamento foi perturbado e sua música hesitou; mas alguns começaram a afinar sua música a de Melkor, em vez de manter a fidelidade ao pensamento que haviam tido no início. Espalhou-se então cada vez mais a dissonância de Melkor, e as melodias que haviam sido ouvidas antes soçobraram num mar de sons turbulentos. Ilúvatar, entretanto, escutava sentado até lhe parecer que em volta de seu trono bramia uma tempestade violenta, como a de águas escuras que guerreiam entre si numa fúria incessante que não queria ser aplacada.

Ergueu-se então Ilúvatar, e os Ainur perceberam que ele sorria. E ele levantou a mão esquerda, e um novo tema surgiu em meio à tormenta, semelhante ao tema anterior e ao mesmo tempo diferente; e ganhava força e apresentava uma nova beleza. Mas a dissonância de Melkor cresceu em tumulto e o enfrentou. Mais uma vez houve uma guerra sonora, mais violenta do que antes, até que muitos dos Ainur ficaram consternados e não cantaram mais, e Melkor pôde dominar. Ergueu-se então novamente Ilúvatar, e os Ainur perceberam que sua expressão era severa. Ele levantou a mão direita, e vejam! Um terceiro tema cresceu em meio à confusão, diferente dos outros. Pois, de início parecia terno e doce, um singelo murmúrio de sons suaves em melodias delicadas; mas ele não podia ser subjugado e acumulava poder e profundidade. E afinal pareceu haver duas músicas evoluindo ao mesmo tempo diante do trono de Ilúvatar, e elas eram totalmente díspares. Uma era profunda, vasta e bela, mas lenta e mesclada a uma tristeza incomensurável, na qual sua beleza tivera principalmente origem. A outra havia agora alcançado uma unidade própria; mas era alta, fútil e infindavelmente repetitiva; tinha pouca harmonia, antes um som uníssono e clamoroso como o de muitas trombetas soando apenas algumas notas. E procurava abafar a outra música pela violência de sua voz, mas suas notas mais triunfais pareciam ser adotadas pela outra e entremeadas em seu próprio arranjo solene.

No meio dessa contenda, na qual as mansões de Ilúvatar sacudiram, e um tremor se espalhou, atingindo os silêncios até então impassíveis, Ilúvatar ergueu-se mais uma vez, e sua expressão era terrível de ver. Ele então levantou as duas mãos, e num acorde, mais profundo que o Abismo, mais alto que o Firmamento, penetrante como a luz do olho de Ilúvatar, a Música cessou. Então, falou Ilúvatar e disse: - Poderosos são os Ainur, e o mais poderoso dentre eles é Melkor; mas, para que ele saiba, e saibam todos os Ainur, que eu sou Ilúvatar, essas melodias que vocês entoaram, irei mostrá-las para que vejam o que fizeram E tu, Melkor, verás que nenhum tema pode ser tocado sem ter em mim sua fonte mais remota, nem ninguém pode alterar a música contra a minha vontade. E aquele que tentar, provará não ser senão meu instrumento na invenção de coisas ainda mais fantásticas, que ele próprio nunca imaginou.

E então os Ainur sentiram medo e ainda não compreenderam as palavras que lhes eram dirigidas; e Melkor foi dominado pela vergonha, da qual brotou uma raiva secreta. Ilúvatar, porém, ergueu-se em esplendor e afastou-se das belas regiões que havia criado para os Ainur; e os Ainur o seguiram. Entretanto, quando eles entraram no Vazio, Ilúvatar lhes disse: - Contemplem sua Música! - E lhes mostrou uma visão, dando-lhes uma imagem onde antes havia somente o som E eles viram um novo Mundo tomar-se visível aos seus olhos; e ele formava um globo no meio do Vazio, e se mantinha ali, mas não pertencia ao Vazio, e enquanto contemplavam perplexos, esse Mundo começou a desenrolar sua história, e a eles parecia que o Mundo tinha vida e crescia. E, depois que os Ainur haviam olhado por algum tempo, calados, Ilúvatar voltou a dizer: - Contemplem sua Música! Este é seu repertório. Cada um de vocês encontrará aí, em meio à imagem que lhes apresento, tudo aquilo que pode parecer que ele próprio inventou ou acrescentou. E tu, Melkor, descobrirás todos os pensamentos secretos de tua mente e perceberás que eles são apenas uma parte do todo e subordinados à sua glória.

E muitas outras palavras disse Ilúvatar aos Ainur naquele momento; e, em virtude da lembrança de suas palavras e do conhecimento que cada um tinha da música que ele próprio criara, os Ainur sabem muito do que foi, do que é e do que será,e deixam de ver poucas coisas. Mas algumas coisas há que eles não conseguem ver, nem sozinhos nem reunidos em conselho; pois a ninguém a não ser a si mesmo Ilúvatar revelou tudo o que tem guardado; e em cada Era surgem novidades que não haviam sido previstas, pois não derivam do passado. E assim foi que, enquanto essa visão do Mundo lhes era apresentada, os Ainur viram que ela continha coisas que eles não haviam imaginado. E, com admiração, viram a chegada dos Filhos de Ilúvatar, e também a habitação que era preparada para eles. E perceberam que eles próprios, na elaboração de sua música, estavam ocupados na construção dessa morada, sem saber, no entanto, que ela tinha outro objetivo além da própria beleza. Pois os Filhos de Ilúvatar foram concebidos somente por ele; e surgiram com o terceiro tema; eles não estavam no tema que Ilúvatar propusera no início, e nenhum dos Ainur participou de sua criação. Portanto, quando os Ainur os contemplaram, mais ainda os amaram, por serem os Filhos de Ilúvatar diferentes deles mesmos, estranhos e livres; por neles verem a mente de Ilúvatar refletida mais uma vez e aprenderem um pouco mais de sua sabedoria, a qual, não fosse por eles, teria permanecido oculta até mesmo para os Ainur. Ora, os Filhos de Ilúvatar são elfos e os homens, os Primogênitos e os Sucessores.

E em meio a todos os esplendores do Mundo, seus vastos palácios e espaços e seus círculos de fogo, Ilúvatar escolheu um local para habitarem nas Profundezas do Tempo e no meio das estrelas incontáveis. E essa morada poderia parecer insignificante para quem leve em conta apenas a majestade dos Ainur, e não sua terrível perspicácia; e considere toda a área de Arda como o alicerce de uma coluna e a erga até que o cone do seu topo seja mais aguçado que uma agulha; ou contemple somente a vastidão incomensurável do Mundo, que os Ainur ainda estão moldando, não a precisão detalhada com que moldam todas as coisas que ali existem. Mas, quando os Ainur contemplaram essa morada numa visão e viram os Filhos de Ilúvatar surgirem dentro dela, muitos dos mais poderosos dentre eles concentraram todo o seu pensamento e seu desejo nesse lugar. E, desses, Melkor era o chefe, exatamente como no início ele fora o mais poderoso dos Ainur que haviam participado da Música. E ele fingia, a princípio até para si, que desejava ir até lá e ordenar tudo pelo bem dos Filhos de Ilúvatar, controlando o turbilhão de calor e frio que o atravessava. No fundo, porém, desejava submeter à sua vontade tanto elfos quanto homens, por invejar-lhes os dons que Ilúvatar prometera conceder-lhes; e Melkor desejava ter seus próprios súditos e criados, ser chamado de Senhor e ter comando sobre a vontade de outros.

Já os outros Ainur contemplaram essa habitação instalada nos vastos espaços do Universo, que os elfos chamam de Arda, a Terra; e seus corações se alegraram com a luz, e seus olhos, enxergando muitas cores, se encheram de contentamento; porém, o bramido do oceano lhes trouxe muita inquietação. E observaram os ventos e o ar, e as matérias das quais Arda era feita: de ferro, pedra, prata, ouro e muitas substâncias. Mas de todas era a água a que mais enalteciam. E dizem os eldar que na água ainda vive o eco da Música dos Ainur mais do que em qualquer outra substância existente na Terra; e muitos dos Filhos de Ilúvatar escutam, ainda insaciados, as vozes do Oceano, sem contudo saber por que o fazem.

Ora, foi para a água que aquele Ainu que os elfos chamam de Ulmo voltou seu pensamento, e de todos foi ele quem recebeu de Ilúvatar noções mais profundas de música. Já sobre os ares e os ventos, mais havia refletido Manwë, o mais nobre dos Ainur. Sobre a textura da Terra havia pensado Aulë, a quem Ilúvatar concedera talentos e conhecimentos pouco inferiores aos de Melkor; mas a alegria e o prazer de Aulë estão no ato de fazer e no resultado desse ato, não na posse nem em sua própria capacidade; motivo pelo qual ele dá, e não acumula, é livre de preocupações e sempre se interessa por alguma nova obra.

E Ilúvatar falou a Ulmo, e disse: - Não vês como aqui neste pequeno reino, nas Profundezas do Tempo, Melkor atacou tua província? Ele ocupou o pensamento com um frio severo e implacável, mas não destruiu a beleza de tuas fontes, nem de teus lagos cristalinos. Contempla a neve, e o belo trabalho da geada! Melkor criou calores e fogo sem limites, e não conseguiu secar teu desejo nem sufocar de todo a música dos mares. Admira então a altura e a glória das nuvens, e das névoas em permanente mutação; e ouve a chuva a cair sobre a Terra! E nessas nuvens, tu és levado mais para perto de Manwë, teu amigo, a quem amas.

Respondeu então Ulmo: - Na verdade, a Água tornou-se agora mais bela do que meu coração imaginava. Meu pensamento secreto não havia concebido o floco de neve, nem em toda a minha música estava contida a chuva que cai. Procurarei Manwë para que ele e eu possamos criar melodias eternamente para teu prazer! - E Manwë e Ulmo se aliaram desde o início, e sob todos os aspectos serviram com a máxima fidelidade aos objetivos de Ilúvatar.

Porém, no momento em que Ulmo falava, e enquanto os Ainur ainda contemplavam a visão, ela foi recolhida e permaneceu oculta Pareceu-lhes que naquele instante eles percebiam uma nova realidade, as Trevas, que eles ainda não conheciam a não ser em pensamento. Estavam, porém, apaixonados pela beleza da visão e fascinados pela evolução do Mundo que nela ganhava existência, e suas mentes estavam totalmente voltadas para isso; pois a história estava incompleta, e os círculos do tempo, ainda não totalmente elaborados quando a visão foi retirada. E alguns disseram que a visão cessou antes da realização do Domínio dos Homens e do desaparecimento gradual dos Primogênitos; motivo pelo qual, embora a Música estivesse sobre todos, os Valar não viram com o dom da visão as Eras Posteriores ou o final do Mundo.

Houve então inquietação entre os Ainur; mas Ilúvatar os conclamou, e disse: - Conheço o desejo em suas mentes de que aquilo que viram venha na verdade a ser, não apenas no pensamento, mas como vocês são e, no entanto, diferente. Logo, eu digo: Eä! Que essas coisas Existam! E mandarei para o meio do Vazio a Chama Imperecível; e ela estará no coração do Mundo, e o Mundo Existirá; e aqueles de vocês que quiserem, poderão descer e entrar nele. - E, de repente, os Ainur viram ao longe uma luz, como se fosse uma nuvem com um coração vivo de chamas; e souberam que não era apenas uma visão, mas que Ilúvatar havia criado algo novo: Eä, o Mundo que É.

Aconteceu, assim, de entre os Ainur alguns continuarem residindo com Ilúvatar fora dos limites do Mundo, mas outros, e entre eles muitos dos mais fortes e belos, despediram-se de Ilúvatar e desceram para nele entrar. No entanto, essa condição llúvatar impôs, ou talvez fosse conseqüência necessária de seu amor, que o poder deles a partir daí fosse contido no Mundo e a ele restrito, e nele permaneceria para sempre, até que ele se completasse, para que eles fossem a vida do mundo; e o mundo, a deles. E por esse motivo foram chamados de Valar, os Poderes do Mundo.

Mas quando os Valar entraram em Eä, a princípio ficaram assustados e desnorteados, pois era como se nada ainda estivesse feito daquilo que haviam contemplado na Visão; tudo estava a ponto de começar, ainda sem forma, e a escuridão era total. Pois a Grande Música não havia sido senão a expansão e o florescer do pensamento nas Mansões Eternas, sendo a Visão apenas um prenúncio; mas agora eles haviam entrado no início dos Tempos, e perceberam que o Mundo havia sido apenas prefigurado e prenunciado; e que eles deveriam concretizá-la. Assim teve início sua enorme labuta em espaços imensos e inexplorados, e em eras incontáveis e esquecidas, até que nas Profundezas do Tempo e no meio das vastas mansões de Eä, veio a surgir à hora e o lugar em que foi criada a habitação dos Filhos de Ilúvatar. E, nessa obra, a parte principal coube a Manwë, Aulë e Ulmo; mas Melkor também estava ali desde o início e interferia em tudo o que era feito, transformando-o, se conseguisse, de modo que satisfizesse seus próprios desejos e objetivos; e ele acendia enormes fogueiras. E assim, quando a Terra ainda era jovem e repleta de energia, Melkor a cobiçou e disse aos outros Valar: - Este será o meu reino; e eu o designo como meu!

Manwë era, porém, irmão de Melkor na mente de Ilúvatar; e ele foi o principal instrumento do segundo tema que Ilúvatar havia criado para combater a dissonância de Melkor. E Manwë chamou a si muitos espíritos, superiores e inferiores, e eles desceram aos campos de Arda e auxiliaram Manwë, evitando que Melkor impedisse para sempre a realização de seu trabalho e que a Terra murchasse antes de florescer. E Manwë disse aMelkor: - Este reino tu não tomarás como teu, pois muitos trabalharam aqui não menos do que tu. - E houve luta entre Melkor e os outros Valar. E, por algum tempo, Melkor recuou e partiu para outras regiões, e lá fez o que quis; mas não tirou de seu coração o desejo pelo Reino de Arda.

Então os Valar assumiram formas e matizes; e, atraídos para o Mundo pelo amoraos Filhos de Ilúvatar, por quem esperavam, adotaram formas de acordo com o estilo que haviam contemplado na Visão de Ilúvatar, menos na majestade e no esplendor. Além do mais, sua forma deriva de seu conhecimento do Mundo visível, em vez de derivar do Mundo em si; e eles não precisam dela, a não ser apenas como as vestes que usamos, e, no entanto podemos estar nus sem sofrer nenhuma perda de nosso ser. Portanto, os Valar podem caminhar, se quiserem, despidos; e nesse caso nem mesmo os eldar conseguem percebê-los com clareza, mesmo que estejam presentes. Quando os Valar desejam trajar-se, porém, costumam assumir, alguns, formas masculinas, outros, formas femininas; pois essa diferença de temperamento eles possuíam desde o início, e ela somente se manifesta na escolha de cada um, não sendo criada por essa escolha, exatamente como entre nós o masculino e o feminino podem ser revelados pelos trajes, mas não criados por eles. Mas as formas com as quais os Grandes se ornamentam não são sempre semelhantes às formas dos reis e rainhas dos Filhos de Ilúvatar; já que às vezes eles podem se revestir do próprio pensamento, tornado visível em formas de majestade e terror.

E os Valar atraíram para si muitos companheiros, alguns menos grandiosos do queeles, outros quase tão grandiosos quanto eles; e, juntos, trabalharam na organização da Terra e no controle de seus tumultos. Melkor então viu o que era feito; que os Valar caminhavam sobre a Terra como forças visíveis, trajados com roupas do Mundo, e eram lindos e gloriosos ao olhar, além de jubilosos, e que a Terra estava se tomando um jardim para seu prazer, já que seus turbilhões estavam subjugados. Cresceu-lhe então muito mais a inveja; e ele também assumiu forma visível; mas, em virtude de seu ânimo e do rancor que nele ardia, essa forma era escura e terrível. E ele desceu sobre Arda com poder e majestade maiores do que os de qualquer outro Vala, como uma montanha que avança sobre o mar e tem seu topo acima das nuvens, que é revestida de gelo e coroada de fumaça e fogo, e a luz dos olhos de Melkor era como uma chama que faz murchar com seu calor e perfura com um frio mortal.

Assim começou a primeira batalha dos Valar com Melkor pelo domínio de Arda; e sobre esses tumultos, os elfos sabem pouquíssimo, pois o que foi aqui declarado teve origem nos próprios Valar, com quem os eldalië falavam na terra de Valinor e por quem foram instruídos; mas os Valar pouco se dispõem a relatar sobre as guerras anteriores à chegada dos elfos. Diz-se, porém, entre os eldar que os Valar sempre se esforçaram, apesar de Melkor, para governar a Terra e prepará-la para a chegada dos Primogênitos: e eles criaram terras, e Melkor as destruía; sulcavam vales, e Melkor os erguia; esculpiam montanhas, e Melkor as derrubava; abriam cavidades para os mares, e Melkor os fazia transbordar; e nada tinha paz ou se desenvolvia, pois mal os Valar começavam algumtrabalho, Melkor o desfazia ou corrompia. E, no entanto, o trabalho deles não foi totalmente vão; e embora em tarefa ou em parte alguma sua vontade e determinação fossem perfeitamente cumpridas, e todas as coisas fossem em matiz e forma diferentes da intenção inicial dos Valar, apesar disso, lentamente, a Terra foi moldada e consolidada. E assim finalmente estabeleceu-se à morada dos Filhos de Ilúvatar nas Profundezas do Tempo e no meio das estrelas incontáveis.




De John Ronald Reuel Tolkien: Ainulindalë, A Música dos Ainur
O primeiro capítulo de O Silmarillion, e o texto mais legal de todos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Métodos em Reflexão

Não vou mentir para você: muitas vezes tenho vontade de mudar.
Tudo soa como uma amarga prisão ao nada.
O tempo corre e as lágrimas escoam.
Existe limite apenas para a alegria?

A vontade é de não fazer nada, de não mover uma palha.
Deixe que o vento bata e leve, que ele decida para onde e carregue.
Ele não permitirá, ele decidirá as suas opções.
Mesmo que ele seja apenas uma vidraça.

Monte sua tabela e construa o gráfico.
O que isso vai lhe dizer? O que uma curva vai ser?
Pó por pó. Cinzas por cinzas. Teoria por teoria.
Qual a semelhança entre amor e paixão?

Seja eterno mesmo que a melodia não a siga.
Crescendo, vibrando. Sem paciência.
Que a vontade me permita dar um passo ainda a frente.
Que a realidade não me permita elevar em chamas.
Em cinzas e pó tornar, do essencial místico para o real palpável.

Da tortura se tira a força.
É o que acreditamos.
É o que precisamos acreditar em, para que tanto tenha sentido.
E para que querer tal sentido, quando é única a grandeza mesmo que não sua direção?

Mesmo que não entenda o mundo, questão não faço do mesmo.
Acendam as fogueiras e avisem, eles estão chegando.

Crescente por toda liberdade.
Tomar um último suspiro antes de saltar.
O último gole, no pulso do empuxo.

Se da arte se retira um sorriso, da mesma se toma a beleza.
Reduz-se o sensível a números, lançados e combinados.
Até a própria energia, enfim, descança.

Que das idéias venham rabiscos, que de tão pouco representam.
Do frito e do brilhante, independentemente.
Tão quanto não tenho dúvidas de que preciso organizá-las.
Por enquanto, vou tentar, pelo menos, concretizá-las. Não esquecer.

De tão truncado quanto era o bolero, resolva-se.
Feria na rocha para chegar ao outro lado.
Deseje que retorne, apenas deseje.
Três pedidos, pare de esfregar.

Aglutinado ao mesmo estado, de quem queria provar o mundo.
Gerado degenerado genericamente genializado.
Esqueça-se nas rimas e delicie-se.
Aproveite cada segundo que já perdera.

Leia, pense, imagine, sinta.
A nuvem não mais se move.
Determine seu próprio sentido, pense no resto depois.
A primeira porta que se deve abrir está depois de saltar seu próprio muro.






Escrito em 15 de Setembro de 2008, durante uma aula de métodos físicos em química inorgânica.

O Último Espetáculo - Parte 03

E tão rápido quanto se viram se perderam de vista. A multidão engolira Blankh novamente, e este já se dava por satisfeito pelo que havia visto. O outro homem, entretanto, girava os olhos em sua busca e os esfregava como se não cresse no que estes o haviam mostrado, mesmo que por uma minúscula fração de tempo, instantes antes.Ninguém mais naquela rua, além de eles dois, havia percebido este evento.

Blankh voltava calmamente para o local onde, antes, combinara com Amadeo de reencontrá-lo após buscar o tal objeto. De longe, já avistava um impaciente Amadeo, que olhava por todos os lados a procura do amigo que lá não estava. "Aonde você estava?!", dizia para o aventureiro, "Finalmente consegui algo que sirva e você fica por aí passeando?". Se desculpava enquanto narrava os eventos ocorridos ao amigo, que carregava consigo uma misteriosa caixa.

Seguiram, enfim, para onde se alojavam durante aqueles dias de preparação. Haviam montado algumas tendas atrás do enorme palco da Praça, o local da festa daquela noite que já se encaminhava. Enquanto o céu escurecia e as primeiras estrelas ensaivam sua chegada, os dois jovens pareciam se importar apenas com o conteúdo da caixa. Blankh se sentava sobre um dos amontoados de roupas de seu abrigo, enquanto Amadeo arrumava um espaço para repousar seu carregamento e poder, enfim, revelar seu conteúdo.

Retirava cuidadosamente a tampa de madeira e desenrolava o artefato do tecido macio que o envolvia. Os olhlos negros de Blankh ganhavam um brilho diferente enquanto apreciava o que via. Era um belíssimo violino, esculpido sobre madeira escura por um famoso luthier da Tarckra. Se perguntava se sua beleza visual seria tão grande quanto sua beleza sonora.

Repousou-o sobre seu ombro e com o arco traçou, delicadamente, a primeira nota tirada pelo instrumento. Seus olhos se enchiam de água enquanto a música fluia pela tenda. "É perfeito!", disse para Amadeo. "É bom que seja mesmo, não teremos outra oportunidade...", respondeu enquanto saía para o teatro.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Sociedade à beira de um ataque de nervos

Alguém se lembra de quando falei disso pela primeira vez?

Pois então, aí está um exemplo patético da atual situação desta frágil situação psiquíca na qual nos encontramos.

Leia e assita o vídeo em: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL852830-5605,00-SANDUICHE+PROVOCA+BRIGA+EM+LANCHONETE+NA+AVENIDA+PAULISTA.html

Imagina se fosse uma coisa importante...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

The Santa Clauf's Rebirth





É galera, o Natal está chegando.

Créditos ao Chicão pelo vídeo TOTALMENTE EXCELENTE !!!

Ho Ho Ho !!!

O Criador do Showmelete

Francisco: Vai comprar o sorvete cara?

Eu: Aham... no meu tempo só vendiam Showmelete aqui...

Dono do Showmelete: Você disse Showmelete?

Eu: Disse sim, porque?

Dono do Showmelete: Você ainda se lembra disso? Tem um tempão...

Eu: É, do tempo que a gente estudava aqui do lado...

Dono do Showmelete: Fui eu que inventei! Era muito legal, você fazia seu próprio omelete... Acho que vou voltar a fazer isso!



Nada como a nostalgia do voltar a escola. É impressionante como revelamos os mistérios tão antigos que pareciam ter sido engolidos pelo tempo. Melhor do que isso, só comprando quatro copos de 300mL ao invés de três de 400!

A tempestade

A chuva cai e o mundo despenca lá fora. Cada trovoada durava mais tempo do que qualquer outra que já havia visto antes. As descargas eram longas e simultâneas, perto ou longe. Ela escurecia todo o campo e sua colossal sombra recaía sobre as montanhas, como se debrusassem sob uma árvore que não se moveria dali.

Do que ainda avistava, além das escuras e pesadas nuvens, apenas distinguia-se o vermelho de um pôr-do-sol de verão, Era o próprio inferno descendo, ironicamente, dos céus. Pediriam, os mais fiéis, que Deus tivesse piedade, mas sua arrumação do "andar de cima" estava demasiadamente agitada. Contudo, nem o mais fervoroso ateu se encontraria por espantado se visse, surgindo da gigante, os tais Quatro Cavaleiros.

Refletiam-se, nas águas turvas que rodeavam a cidade, as gravuras temerosas da luz em sua veloz transição. E tal prenúncio do abalo sonoro pouco fazia, tamanha sempre era a surpresa dos múltiplos impactos inesperados. Que os fótons tinham como função alertar para proteger seu auricular e espalhar o pânico dentre os habitantes.

As densas e ácidas gotas d'água atingiam o ríspido e, ainda, quente asfalto. Tamanha era sua intensidade que o escoar natural para o mar já não se fazia suficiente. Faliam as pretensões humanas de domar a ferocidade da natureza por dutos e tubulações: todo o fluido retornava. Seriam engolidos por toda aquela substância, essencial para a vida, incolor, inodora e insípida, que já carreavam consigo a essência das latrinas da civilização.

Se dos altos desciam, do interior retornavam. Chocavam-se contra a oca, porém impermeável, face da construção da alma moderna. Adquiriam suas próprias medidas: milímetros, centímetros e metros, que em termos de volume, e assim seus cubos, tornavam-se, rapidamente, valores numéricos exorbitantes. E os homens temiam os valores.

Previsões matemáticas que insubstanciáveis se faziam, a fúria tomava seu contorno. Enquanto os veículos de matéria se congestionavam pelo caos enchente, os veículos de informação fervilhavam e especulavam, das formas mais pavorosas e esdrúxulas, valores de perda financeira. E os homens realmente temiam os valores.

E dos sons se notavam, no cessar das descargas elétricas desconcertantes, unicamente, os alarmes dos telefones móveis, na sua total variedade, e os alarmes dos veículos ansiosos por um caminho não obstruído para casa. Comunicavam-se instintivamente, rompendo a única fronteira que ainda parecia não ter sido tocada: a transmissão de ondas eletromagnéticas. Sim homem, vença o que ainda pode.

A fumaça do maquinário era impedida de atingir a atmosfera e se contentava em absorver a vida dos seres terrestres, adentrando seus sistemas respiratórios. Triumfavam em lágrimas e tosses, sobre os mesmo que haviam o mundo saturado de tanta inércia química. Deviam, então, correr para seus salvadores de trajes brancos, e ter fé na salvação do oxigênio industrial.

Inqueatação que se espandiam sobre o lapso do desespero. Já não sabiam diferenciar o impacto constante e ritmado das precipitações aquosas do trovejante estampido, sem qualquer cadência, dos raios. Apenas fotos sobre a escuridão: sorria.

Ofegavam o tempo que não percebiam ter corrido. Um último ruído rompeu então aquela terra e os lapsos demoníacos de luz passaram a ser a fonte dos olhos. Perdiam o que haviam construído e aprendido, inconscientemente, a depender. A diabólica onda avassalaria todo e qualquer sistema eletromecânico construído.

Dos prédios apagados, das ligações perdidas, das imagens corrompidas, do tempo não mais contável, aquilo que haviam se construído sobre parecia ter escorrido esgoto abaixo. Provavam a fúria da maior de todas as nações. O verdadeiro Deus tomava a sua forma, a única força em seu papel. Retomavam sua natureza, pelo mais redudante que fosse.

Os homens jamais compreenderiam como resistiram a tal martírio divino. Escreveriam por séculos para narrar a desesperadora noite que se seguiu, fosse por verso, prosa, canção ou cinema. Era a nova arte que ganhava um enorme caldeirão de discussões e sensações para se esbanjar. Provariam dela todos eles.

Um deles apenas diria que, quando o Sol enfim cortou o céu, viu o azul que jamais sonharia ver novamente. O brilho da vida retomava sua forma. Da crueldade da crú investidade da natureza, selecionou-se os homens do novo início. Nenhum deles desejaria provar aquilo novamente, porém o ciclo fundamental do universo levaria-os sempre aquela condição, até que livres de todo o mal estivessem.

Libertem-se em sua essência: a tempestade, enfim, cessou.

domingo, 2 de novembro de 2008

Por que a flor canta Jingle Bells?



Minha modesta contribuição para o extenso acervo de inutilidades do YouTube.


Agora me respondam, por que ?!?!?!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Bruxas à solta

Queria um gole de silêncio nessa noite, mas elas estão por todo lado. Levando as sombras de um canto ao outro, trazendo o mistério da tristeza e do desânimo. Não montam vassouras ou lançam feitiços, as verdadeiras bruxas estão à solta.

Você abaixa a cabeça e se pergunta o motivo. Não compreende de onde vem este sentimento inexplicável de derrota. Eis que lhe digo que, ao menos hoje, eu acredito em bruxas.

Se as sombras contaminam sua alma, e rapidamente espalham-se entre todos, é o sinal da presença destes seres abomináveis. E tentam tomar o açúcar da sua vida. como água para dissolver. Preparem seus amuletos, todos serão bem vindos.

O dia delas terá seu fim, mas nossa caçada durará para sempre.
Apenas não devemos desistir de lutar, e que a lua nos brilhe novamente.

Feliz dia das bruxas, se é que há algum sentido nisso.
E sigo tentando retomar minha inspiração.

sábado, 25 de outubro de 2008

Inquietude

Se não para um único segundo,
deve haver algum motivo.
O tanto que se espalha,
por todo o corpo e deixa aflito.

Se cada pulso de sangue,
cria um impulso físico.
A agitação que toma,
cada milímetro.

Se correria para se cansar,
se gritaria para rouco ficar,
se saltaria para cair e se levantar,
se dormiria para tentar um pouco parar.

Engole a luz,
respira o dia.
Ainda encontraria sua paz?

Da vibração sem fim,
que nada parece desacelerar,
nem mesmo gigantes barreiras,
nem mesmo no frio espalhar.

Tente de tão lento,
brigue de tão áspero,
escreve de tão tenso,
demore de tão agitado.

Concentre-se, diziam
os que incompreendiam o estado
Silenciem-se, pensava
tentando conhecer o lado.

Segue adiante,
no olhar do distante,
da esperança que não cede
de, por fim, se reduzir.

domingo, 19 de outubro de 2008

You not me



Being round you is driving me crazy
Watching you run is making me lazy
You're trying to buy a place in my head
Telling me lines I've already read
Speaking my name to try to confuse me
Say it again you're starting to lose me

That's alright I'm okay
It happens every single day
It's all the same
But I'm not blind

It's all about you not me
It's all about the things that you're expecting me to be
There's not enough time to live
And all that you're expecting me to give

It's all about you not me
It's all about you not me

You're building my prison brick by brick
Eating your words is making me sick
You get what you want
Cause nothing is sacred
You're reading my mind
And leaving me naked
You say I gotta give before I receive it
One of these days I'll believe it.

It's all about you not me
It's all about the things that you're expecting me to be
There's not enough time to live
And all that you're expecting me to give

It's all about you not me
It's all about you not me

That's alright I'm okay
It happens every single day
It's all the same
But I'm not blind

It's all about you not me
It's all about the things that you're expecting me to be
There's not enough time to live
And all that you're expecting me to give

It's all about you not me
It's all about you not me
It's all about you not me

sábado, 18 de outubro de 2008

Monster Hunter Portable 2G


Ahhhh... Monster Hunter!
Ainda me lembro o dia que o Rennan comprou, despretensiosamente, a versão de PS2 desse jogo. Mesmo sem perceber, gastamos horas e horas caçando e quase nada avançando no jogo. Ao ter o meu PSP em mãos, foi um dos primeiros jogos que fiz questão de jogar.

O título do jogo descreve precisamente o que você vai encontrar. Você é um caçador de monstros que é encontrado em uma montanha e passa, então, a cumprir missões que lhe são dadas pelo pessoal do vilarejo. Esse modo de jogo é bem prático, por não se tratar de uma história contínua, permite que você jogue pouco tempo seguido sem perder o foco.

O jogo também traz várias aventuras paralelas, como a Pokke Farm, onde é possível se conseguir itens extras do jogo após cumprir cada missão, e o Trainning Hall, que também te traz diversos desafios contra monstros já derrotados, sob novas condições de luta.

A variedade de armas é outro grande ponto de Monster Hunter. De espadas, katanas, lanças a arcos e atiradeiras, cada uma com ataques totalmente diferentes e propriedades únicas. Isso dá uma jogabilidade totalmente variada, que te permite utilizar o estilo de luta que mais gosta, ou que mais se adequa as missões dadas.

Combinando itens se obtem novos itens, e não há nada como inúmeras combinações para dar trabalho aos jogadores na busca de artefatos específicos. Sem contar que, para evoluir suas armas e armaduras, são necessários itens para forjar as novas peças. Cada missão passa a ser também uma busca paralela por estes materiais.

Com a ajuda também dos gatos que você pode obter, que cozinham e até mesmo ajudam durante as caçadas, o jogo ganha um novo horizonte de evolução.

Ainda acredito que o grande trunfo de Monster Hunter Portable é o incrível modo de jogo em rede. Existe um outro enorme universo de missões compartilhadas para você pode jogar, seja diretamente com seus amigos ou pela internet com Wi-Fi.

Já não bastasse tanto, o jogo é enorme, e bem difícil. Ou seja, prepare-se para jogar horas e horas, tentando inúmeras vezes cada missão, e, claro, procurando e caçando os monstros.

Queria ter muito tempo livre, muito mesmo.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Garotinhos juvenis...

...Criados a leite com pêra, a pão com "mortandela"!!!






Eu acho que nunca vou parar de me surpreender com o mundo.

Nesta sinistra quinta-feira, Mendes e Erick me esperaram para irmos embora após terminar meu horário de monitoria do LIG. Descemos então para o pragmático ponto do ônibus do CT, onde fomos abordados por duas simpáticas senhoritas trabalhando na divulgação da Mortadela da Sadia. Num misto de carisma e cara-de-pau, não satisfeitos de termos ganho um pão cada um, pedimos mais um!

Poderia ter terminado por aí, se não tivessemos agradecido as meninas de dentro do ônibus depois, assinando nosso certificado de malucos.

Haja aventura quando o assunto é voltar tarde para casa...

Waffles !!!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Eu sou criança, eu posso brincar

É verdade que não há nada como ser criança.

O aniversário da minha irmã, aqui em casa, nesse domingo, levou-me de volta a uma época esquecida da vida. Do rir por rir, brincar por brincar e falar por falar. Deixar de lado as coisas importantes que nós, adultos, teimamos em remoer por todo o tempo.

É bem positiva essa habilidade única de esquecer os problemas cotidianos e apenas aproveitar os minutos que tem para se divertir na companhia dos amigos. E dá para entender bem por que é tão difícil crescer para muitas pessoas. Enfrentar uma realidade dura é terrível quando se pensa nos tempos de corre-corre pela casa dos avós. É o amargo peso da palavra "responsabilidade".

Acredito que tenho falhado nesse aspecto. Tanto para com os outros, como para comigo mesmo. Sentir o gosto da infância também me trouxe este peso de volta. Descobri que tenho que acordar e me levantar, pelo mais difícil que esteja sendo cada passo dado.

É o preço da liberdade.
O que não impede ninguém de ser feliz.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Tchurunarublaze



Um clássico de Mc Magalhães, o Rap do Trabalhador.
Direto de Realengo, para a felicidade geral do Erick...

É incrível a nossa capacidade de encontrar bobagens na internet.

sábado, 4 de outubro de 2008

O Último Espetáculo - Parte 02

Até os elefantes disputavam o espaço por ali. Talvez fosse sim vantagem, tão grande quanto o próprio, montar um daqueles: nada continuava em sua frente. Mesmo assim, Blankh não percebeu quando um deles teve que ser manobrado bruscamente para evitar sua colisão com este. Esta manobra ainda derrubaria um outro vendedor de bebidas que saía carregado de sua pequena barraca, mas poucos notaram isso além dele mesmo.

Já estava cansado de se perguntar como havia parado naquele lugar tão intenso. Percebia que era o único indivíduo que não estava em movimento ou em alguma atividade comunicativa específica. Admirava, enfim, a loucura extensiva da sociedade dos homens. Pensava que, se todos parassem como ele, por um único minuto, talvez pudessem juntos repensar o destino daquele mundo. O que aconteceria a seguir seria, no entanto, exatamente o contrário do que desejara.

Um chamado ecoou por todo aquele corredor. Pela conta dele, deveriam ser meia dúzia de guardas reais. Vestidos nas armaduras mais imponentes que já havia visto, pareciam enormes e invencíveis. Abriam passagem de uma maneira muito mais eficiente que os próprios elefantes. Se apenas os moradores de Tarckra ali estivessem, talvez não ocorresse um terço da confusão.

Aglomeravam-se todos a frente para ver o que passava. Gritos se espalhavam entre os populares, parecia que o Rei de Tarckra aparecia para dar início as comemorações. A curiosidade, então, tomou o jovem aventureiro. Enfrentou toda aquela barreira humana, perdendo a conta dos empurrões e pisões que tomara. Saltou sobre uma caixa que um vendedor repousara enquanto acompanhava a carreata.

E Blankh o viu. Estava sentado sobre o um majestoso trono, do alto do maior elefante branco que havia visto por ali, aliás, o único. O homem olhava sério, de cima, para todos os que o saudavam. Em meio a palmas e chamados, seus olhos cruzaram com os de Blankh. Estivera, enfim, certo de que se encontrava no lugar certo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O Último Espetáculo - Parte 01

"Volte aqui, Amadeo!" disse, em voz alta, o alto homem do outro lado da rua. O jovem, a quem gritara, apenas acenara com a cabeça, ao virar para conferir quem o chamara. O timbre da voz de Blankh já era mais do que conhecido por ele, mas a cidade parecia abafar qualquer clareza de som.

Era uma época especial para todos os que habitavam aquele local. Comemorava-se a chegada das Aves do Norte, que prenunciava a primavera daquelas terras. Talvez fossem os animais mais belos de todo o continente, e raras eram as oportunidades de vê-los. Visitantes das cidadelas vizinhas e viajantes do mundo se reuniam aos moradores e lotavam cada metro quadrado do terreno para apreciar este sublime momento da natureza. O dia era muito esperado.

Blankh e seu amigo, Amadeo, eram dois destes viajantes que aguardavam ansiosamente o pôr-do-sol avermelhado e, assim, o começo da nova estação. Passavam o seu terceiro dia em Tarckra, planejavam seu primeiro momento de descanso. Blankh não havia feito nada além de trabalhar na arrumação da Grande Praça para os eventos principais daquela noite. Amadeo, no entanto, já parecia conhecer cada beco como se lá a tanto morasse.

Estavam no Mercado Aberto da cidade. Um verdadeiro universo do comércio nessa área. A dupla havia perdido horas de sua manhã em busca do artefato que precisavam para completar seu trabalho. Amadeo se encontrava eufórico, enquanto seu companheiro de longos cabelos negros se mostrava paciente como sempre, mesmo depois de ser deixado sozinho num lugar tão pouco identificável. De tantas e tantas barracas vistas e mercadores interrogados, a última esperança era o impulso do pequeno garoto de cabelos arrepiados.

O jovem aventureiro ia então, em um imaturo ato de exibicionismo. Adiantava-se ao pedido de Blankh e se dirigia ao local onde acreditava conseguir obter o que este precisava para terminar os serviços da tarde. Sentara então, em meio a multidão do Mercado, no primeiro lugar que encontrara para poder se recostar. Esperava apenas que Amadeo o encontrasse ali, e em breve. Ao menos podia se distrair com a exótica música local que soava de toda a parte.