Hoje eu vou escrever,
seja lá o que for.
Parei de pensar e resolvi (re)colocar as ideias.
Esse blog precisa de novos ares,
aliás, eu também.
Me bateu esse estalo hoje, de que a muito não escrevo.
Pois bem, a mim devo e logo voltarei.
Mas, para isso, novos ares.
Darei uma mudada no blog, talvez faça um novo.
Daí reposto tudo de novo, ou coisa do tipo. Ha!
Enfim, é isso.
Já retorno, de novo fôlego e até novas propostas...
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Hoje eu vou escrever
Postado por Carlos Eduardo de Moura
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domingo, 7 de março de 2010
Anotações do dia 24 de Março de 2009
Postado por Carlos Eduardo de Moura
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domingo, 27 de dezembro de 2009
O que estou fazendo aqui?
mais uma qualquer.
Que espero que logo termine,
e que o tempo ainda não passe.
Já é quase hábito:
deitar,
sono não chegar,
desistir e voltar,
máquina ligar,
tentar e tentar.
O peso da solidão escura,
e a saída pela nova rede do mundo.
Desde outro amigo sonâmbulo
até Joe Satriani.
Dos meus versos que se perderam
e que tanto tento achar,
nessas horas que mais busco
e me parecem que não retornam mais.
E aqui chego,
sem a resposta para a pergunta,
mas com a certeza de que
nada pode ser mais cruel
do que uma madrugada solitária.
Postado por Carlos Eduardo de Moura
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Pensamentos Estagnados
De verdade, não é que tenha desistido de escrever. Só ando meio sem idéias. De certa forma, sem assunto também. Muitas coisas aconteceram nos últimos tempos e, bem, pouco tempo e criatividade tive para contá-las.
Não, não sei o que está havendo aqui comigo.
Talvez seja a idéia doida de se escrever um livro.
Volto logo, revisando 2009 e fazendo listas.
Sem isso aqui, parece que nem vivo.
Postado por Carlos Eduardo de Moura
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sábado, 24 de outubro de 2009
Sem mais perguntas
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domingo, 19 de julho de 2009
Sem paciência
Não apenas para escrever, mas para todos vocês.
Não sei como minha alma chegou a este estado deplorável.
Talvez seja uma mistura de SIGA, Cuca e meu pai.
E mais alguma coisa que, não sei porquê, não consigo me lembrar agora.
Então, é isso.
Nada direi.
Azar.
Melhores ventos para mim.
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domingo, 7 de junho de 2009
O professor está SEMPRE errado.
Se é velho, está superado
Se não tem carro, é um coitado
Se tem carro, chora de "barriga cheia"
Se fala em voz alta, grita
Se fala em tom normal, ninguém o ouve
Se não faltas às aulas, é um "caxias"
Se falta, é um "turista"
Se conversa com outros professores, está falando mal dos alunos
Se não conversa, é um desligado
Se dá a matéria toda, não tem dó dos alunos
Se não dá a matéria, não prepara os alunos
Se brinca com a turma, se faz de engraçado
Se não brinca, é um chato
Se chama a atenção, é um autoritário
Se não chama, não se sabe impor
Se a prova é grande, não dá tempo
Se a prova é pequena, tira as chances dos alunos
Se escreve muito, não explica
Se explica muito, o caderno não tem nada
Se fala corretamente, ninguém entende
Se fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário
Se o aluno é reprovado, é carrasco
Se o aluno é aprovado, é mamata
Seja lá quem escreveu isso, é bastante de verdade.
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quarta-feira, 15 de abril de 2009
...e o último a sair: apaga a luz.
Não sei de onde se iniciou esse desequilíbrio.
Quando a quantidade se tornou tão mais importante que a qualidade.
Quando valores numéricos passaram a ser atribuídos a nossa qualidade particular. Deveria ser, por sua essência, imensurável.
E acontece da base ao topo da pirâmide, sem exceção.
Aprendemos uma valiosa lição: o mundo não é justo.
E não adianta reclamar. Não adianta lamentar. Nem espernear ou tentar gritar mais alto.
Se ainda há uma solução, é brigar. E brigar por nós mesmos, para começar.
Depois brigamos pelos outros, quando os outros também o fizerem.
É justo? Não, não é. Mas não há tempo nem força.
Pense grande e faça pequeno, ao menos.
O universo se ajusta.
Ou lutamos até o fim ou o último que sair apaga a luz.
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segunda-feira, 23 de março de 2009
Quando a vida perde o gosto
Viria a primeira luz ao abrir a geladeira se a lâmpada tivesse se lembrado de trocar. Chacoalhou o braço por entre as prateleiras solitárias. Catou o último pedaço de alguma coisa que sobrara da janta, e que um dia fora chamada de pizza. Jogou-o no microondas e digitou número randômicos. Contou até dez mentalmente, o que levou uns quatro segundos, tirou e engoliu em um golpe de catchup.
Voltou ao quarto, após tomar o tal tombo em sua própria falta de cuidado ao se secar. Procurava um culpado enquanto se levantava sem perceber que nem toalha tinha lá para evitar. Se vestiu da roupa, já um pouco amassada, perdida na montanha do armário. Amarrou o cadarço de seu velho tênis de sempre e colocou a carteira em seu bolso. Contava em uma mão as moedas para o ônibus e com a outra buscava a chave da própria porta.
A luz o tocava pela primeira vez, mas tão pouco se importava. Se dirigia ao ponto de ônibus mal abrindo seus olhos para o mundo. Preocupava-se mais com o tal horário marcado em seu pulso. Pincelou, com os olhos, as manchetes dos jornais na banca. Atravessou mais algumas ruas, pouco ligando para o movimento ao seu lado. Manteve-se, durante incontáveis minutos, ao lado da placa, de pé. Acenou para o veículo junto com vários outros que ali estavam e já previa o resultado daquilo.
Empurrou e foi empurrado, talvez até sem entender que não empurrara conscientemente. Logo estava socado dentro daquela máquina, com tanta gente, por todos os lados. Era o odor do ser humano em seu natural, se sufocava de tanto. As janelas tão pouco melhoravam, ainda mais quando mal alcançava a roleta. Levaria alguns pontos ainda para passá-la e pagar por seu serviço com as moedas a tanto contadas. Não era porque haviam menos pessoas que ele se movera, e sim porque prosseguiam a empurrá-lo.
É. Enfim parou em seu destino e, pela última vez, se esgueirou entre os outros socados para alcançar a porta. O salto dos degraus traz de volta o sentimento de liberdade, que parece tão esquecido no meio da vida. É o vento que bate no rosto, mesmo que isso só o lembre de andar mais depressa. E aí ele andou. Dobrou mais umas duas ruas, ultrapassando as pessoas que pareciam não ter hora. Enfim tocou o interfone daquele gigantesco prédio acinzentado.
A porta de vidro se abriu ao meio rapidamente. Entrou realizando um cumprimento mecânico ao homem que guardava a portaria. Apertou o botão e aguardou por instantes o antigo elevador. O aço da porta se contraiu e ele, ainda assim, aguardou um outro trabalhador, que ainda passava pela porta, para se deslocar. Também cumprimentou, comentou sobre o tempo. De volta, o companheiro de viagem perguntou sobre o futebol, mostrando a ele o jornal que havia comprado. Destraíram-se juntos, durante algumas risadas. O movimento cessou e a porta se reabriu.
Estava exposto agora a uma enorme quantidade de luz artificial. As persianas na janela apenas os isolavam do mundo lá de fora. Encontrou facilmente sua própria mesa, apõs mais uma dúzia de "bom dia"s inexpressivos. Repousou sua pasta sobre a mesa dessarumada. Atravessou o corredor guiado por um cheiro tão confortável. Virou dois copinhos de plástico de café. Sentiu-se mais agitado e voltou para seu lugar. Sentou-se e recostou-se na cadeira. Corria com seus olhos, pelas primeiras vezes, a tela na sua frente.
O sistema carregou, ganhou cores e vida. Ele visitou, como de habitual, suas três ou quatro caixas de correspondência eletrônica. Olhou e excluiu, rapidamente, as propagandas de sempre. Selecionou, pelo título, algumas bobagens, enviadas por colegas de trabalho, para se distrair em algums momentos durante o dia. Leu, finalmente com atenção, os últimos informes da empresa. Foi lembrado da reunião que teria após o almoço.
O tempo foi passando e o serviço sendo feito. Conferia e autorizava, comparava e decidia. E assim o manhã prosseguiu. Leu dois dos e-mails com os powerpoints em anexo. Sentia as costas cansadas de tão paradas sobre aquele encosto. Olhou para o nada e rodou um lápis com os dedos. O relógio o avisou da hora de comer. Tentaria provar um pouco de felicidade, enfim.
Levantou-se e esticou as costas lentamente. Conferiu a carteira no bolso esquerdo de trás com um tapinha e se dirigiu de volta ao elevador. Reparou no caminho que quase todos os colegas de trabalho já haviam partido para seu almoço também. Assim sendo, estaria sem companhia para. Abertou o botão novamente, aguardou, pegou o elevador quase no seu limite de carga e desceu ao térreo. Saiu do prédio e voltou a provar o odor cinzento das ruas.
Dirigiu-se a esquina da rua, de onde avistou o restaurante onde pretendia almoçar naquele dia. Percebera, então, o custo da sua distração no computador. Havia uma enorme fila de outros trabalhadores do lado de fora. Imaginava que não poderia comer o que queria naquele dia. Andou até a próxima esquina e sentou-se na mesa do bar. Pediu um dos salgados sem graça do mostradouro e uma lata de refrigerante. Ao menos o açúcar o animaria.
Mastigou toda aquela massa e ajudava a bebida a engulir. Mesmo estando cheio o bar, levou poucos minutos para fazer tudo isso. Ainda com tempo de sobra para a volta de seu almoço, pensou em ir a algum lugar para se divertir. Não pensou em nenhum. Deu a volta no quarteirão, apenas para fazer uma caminho diferente. Fez todo o caminho de volta até sua mesa, sem mais nada acontecer.
Lembrava-se de uma tal reunião que teria pela tarde, e sabia muito bem o que significava reunião. Todos sentados, falando todas as bobagens que querem e ele lá, obrigado a escutar. Dirigiu a tal sala de reuniões, alguns andares acima do que ficava sua sala. Foi o primeiro a chegar. Sentou-se no lugar de sempre e aguardou a chegada de todos os outros. As vezes se assustava com a felicidade e vivacidade que alguns tinham em discutir e decidir coisas, ele só queria que o tempo passasse.
Lá se foram horas de discussão de termos técnicos e cargos, de burocracias que pareciam não ter fim. Rodou o lápis infinitas vezes pelos dedos, como um pedido aos ponteiros do relógio para rodarem mais rapidamente. Levantou a mão por duas vezes para demonstrar seu voto. Rezou para ser tirado da sala por algum incidente qualquer do mundo exterior mas, para variar, não fora atendido.
E chegou, enfim, ao seu fim. Seu traseiro já estava marcado por tanto que ficara sentando naquele assento, teoricamente confortável. Os outros ainda se mantinham nas discussões enquanto ele se levantou e saiu da sala sorrateiramente. Respirava o aroma do corredor, do qual já tinha saudade. Pegou mais um copo de café e voltou para a sua mesa. Por sorte, faltavam poucos minutos para o término do expediente. Talvez não seja sorte.
Revisou algumas das ocorrências do dia e adicionou ao seu relatório semanal. Manter essas atividades em dia lhe davam uma certa vantagem ao atingir o fim da semana. A preguiça era maior mas o trabalho já estava adiantado. Pela janela, via apenas a cor escura tomando o céu. Se aproximou para observar o caos ao qual o trânsito já se tomava. Sabia que havia chegado a hora de ir para casa.
Arrumou a sua pasta meio que de qualquer jeito. Jogou algumas coisas que estavam sobre a mesa dentro dela, sem nem pensar se usaria mesmo aquilo em casa. Pegou seu celular do lado da tela do computador e pôs no bolso. Conferiu se a carteira estava no bolso de trás. Respirou fundo e se dirigiu, pela última vez naquele dia, ao elevador.
Muitos outros também iam embora. Assim sendo, teve que esperar o elevador mais do que nos outros horários, até que conseguiu um que o abrigasse. Desceu, parando de andar em andar, com vários outros trabalhadores que lamentavam não ter lugar também dentro do cubo de metal. A viagem demorou muito mais do que o normal. Chegou dessa forma na entrada do prédio, acenou para o porteiro e, adivinhe, voltou a sua saga particular pelo ônibus.
Sabia que levaria tempo demais no ponto e ainda mais tempo parado em muitas e muitas ruas diferentes. Resolveu pegar uma atalho por baixo de tudo aquilo. Era a maravilha do metrô. Atravessou a praça a pé e desceu pela escada rolante. Comprou um pacote de amendoins em uma máquina da estação, para destrair os dentes enquanto esperaria sua vez na enorme fila para comprar o bilhete. Poderia estar mais irritado mas sabia, no entanto, que seria mais desagradável estar de pé no ponto de ônibus.
Tirou uma nota grande da carteira e, junto com aquele brilhante pedaço de papel, recebeu uma montanha de discos metálicos para guardar. Seu bolso estava bem mais pesado agora. Alimentou a máquina giratória com o papel e transpassou-a. Disputava lugar agora com muitos outros que aguardavam a chegada do trem. Sabia, por demais, que estaria de pé por toda a sua tragetória. Com um pouco de fé estaria, ao menos, confortável.
E não esteve. Ele chegou e abriu suas portas com tamanha violência. Violência semelhante a dos que o adentravam e buscavam diminuir o vácou do maquinário. Agarrou com a ponta dos dedos o cetro de alumínio no meio do vagão. Não sabia ao certo se o ar condicionado funcionava. Compensava por saber que horas abriria a porta de sua casa naquela noite.
Após nove paradas e aumentos na pressão exercida sobre ele, chegou ao seu destino. Brigou com outros seres para conseguir deixar o metrô quando a porta se abriu. Passou espremido por entre eles, prendendo ao máximo a sua pasta. Sabia da maior desvantagem da opção que havia feito: andaria mais até seu lar.
Saiu da estação e iniciou sua infinita caminhada de quatro quilômetros. Pouco mais de meia hora de passos ritmados por entre pequenas e pacatas ruas de seu bairro. Nem se lembrava de uma canção para assobiar enquanto andava. Passo atrás de passo, pegada atrás de pegada. Ao ver a lama se lembrava de que teria de limpar os sapatos pela manhã.
Subiu e desceu uma rua e viu, então, sua pequena morada. Estava emersa às luzes dos vizinhos e não via a hora de a ter acesa. Separou as chaves instintivamente, caminhando ainda. Deveria ter separado mais tempo para olhar a bela lua crescente que de lá, ao contrário do centro da metrópole, veria limpamente.
Rodou a peça de níquel esculpida por dentro do buraco na madeira. Esfregou os pés sujos no também imundo tapete da entrada. Suspirou sua sala desarrumada. Bateu a porta à suas costas e se entregou ao sofá. Tirou os sapatos com os pés e esticou as costas. Tocou o controle remoto e sentiu-se, enfim, dono do mundo. Acendeu a mágica caixa televisiva e encontrou logo seu telejornal. Tentava se lembrar do que havia visto no jornal pela manhã, mas não conseguiu.
O estômago o avisou que era a hora. Levantou-se tão desnorteado e se dirigiu a cozinha. Era outro cômodo sem qualquer organização porém estava pesado demais para mudar aquilo. Abriu a geladeira e tirou dois potes e um pedaço de carne. Colocou os seus conteúdos, junto com a peça, sobre um prato de vidro. Procurou ainda um pedaço de presunto para dar um pequeno colorido ao seu jantar. Inseriu-o no microondas, digitou "dois," "zero", "zero" e "ligar".
Encheu um copo de refrigerante sombrio e borbulhante. Não mais tão vivo, pois a tempos que o aguardava dentro da geladeira. Tomou um gole e esperou, de pé, o fim da contagem da máquina. Aproveitou para limpar os talheres que usaria naquela refeição. Retirou o prato com a mão cercada por um macio pano e o levou para o sofá com o copo. Se deitou e repousou tudo aquilo sobre. Tudo menos o copo que colocara no chão para evitar mais sujeira. Então comeu, enquanto dava risada de pobres trouxas que achavam que ganhariam algum trocado vendendo um desafio no meio da rua.
Sabia que havia gerado mais resíduo, mas pouca questão o fez de melhorar. Largou tudo dentro da pia, junto com os talheres do dia anterior. Dirigiu-se ao banheiro para limpar ao seu corpo. O fez por alguns longos minutos. Tentou curtir o frescor da água sobre seu corpo e se sentir, assim, menos solitário. Secou-se com não muita vontade, deixando escorrer ainda, por seu pescoço e costas, a água. Voltou ao sofá e era, enfim, a hora do jogo.
Futebol, ao menos, o destraía. Não era o seu time que jogava e tão pouco sabia qual era o campeonato, mas logo escolheu um lado para defender e já estava reclamando como torcedor de infância. Ofendeu à distância o juiz e, claro, debochou dos inúteis comentários da equipe de transmissão. O primeiro tempo se foi e com ele veio o sono.
Desligou tudo pela casa e foi para seu quarto. Saltou sobre a cama sem a menor burocracia e se afundou no travesseiro, que nem era tão macio, mas imaginava que fosse. Lembrou-se, por sorte, de acionar o despertador para acordá-lo no dia seguinte. Desejava que faltasse muito ainda para ele tocar. E até que não faltava.
Fechou os olhos e se dedicou à respiração. Não se ateve aos acontecimentos do dia ou aos planos para os próximos. Somente repousou. Talvez seus sonhos ainda tivessem algum gosto.
Era uma quarta-feira como outra qualquer, o calendário está cheio delas.
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sábado, 21 de fevereiro de 2009
A Máquina das Emoções
Então o que tem de tão especial esse tal futebol? É bem simples, é um jogo que tangencia a realidade. Numa partida de tênis, por exemplo, um jogador não precisa de nada além de seu próprio mérito para vencer. Precisa acertar mais e errar menos que o adversário e, então, é o vencedor. É assim na grande maioria dos esportes, até mesmo coletivos, mas no futebol é tudo diferente.
Os dois times se enfrentam e existem muitas questões além do mérito técnico. O jogo depende da equipe, depende do adversário, depende da arbitragem e, evidentemente, depende de sorte. Quem nunca viu uma partida daquelas onde acontece de tudo e a bola não entra e a outra equipe vai e acerta na única tentativa?
Mas retornando a questão da realidade, o futebol nos faz provar, como torcedores, toda a espécie de emoção que podemos. Hoje fui ao Maracanã, com o meu sempre companheiro de jogos Rennan, e provamos um bocado disso.
Fomos cedo comprar os nossos ingressos para a semifinal da Taça Guanabara. Entramos assim na primeira sensação sobre a partida: a ansiedade invade o torcedor, e isso apenas piora com a aproximação da partida decisiva. Afinal, futebol se decide em 90 minutos (e olha que essa é uma das poucas verdades válidas sobre esse controverso esporte).
Chegamos ao estádio. Maracanã sempre comparecido pela torcida, da emoção de fanatismo, do Clube de Regatas do Flamengo, apesar do Carnaval. A velha emoção da ansiedade ataca, a simpatia para cada um dos jogadores aparece, a alegria toma conta de todos os presentes que iniciam seus cantos, se manifesta a amizade dos que tem a paixão pelo time em comum. A euforia e o entusiasmo chegam aos seus auges, até que soa o apito e é dado início a partida.
O carinho pelo time é levantado a cada segundo, até que o inesperado acontece. Sim, a emoção da surpresa. Uma falha da defesa e uma falha grotesca de julgamento do árbitro colocam um jogador para fora e um pênalti marcado. Um novo universo de emoções sombrias é aberto para cada um dos presentes: a raiva se direciona a um único homem lá embaixo. A aflição é alimentada por cada passo do jogador em direção a bola, e lá dentro, então, está ela.
É o momento da esperança. A fé na equipe, a motivação dada por cada um. Nos atemos a elas e não largamos por um único segundo. Empurrando o time e sempre cantando.
Eis que a confusão nos acomete. Uma expulsão sem qualquer explicação do líder da equipe. Todos se entreolham com a mesma expressão contendo a total falta de compreensão. Ainda sim, a fé continua, mesmo que a raiva esteja sendo fritada em ódio.
E o tempo passa. Esse tem um efeito incrível sobre as emoções dos torcedores. A angústia toma forma e o medo da derrota cresce, a medida que a paciência atinge o seu limite. A preocupação atinge todos da mesma maneira.
Josiel entra em campo. O homem com a responsabilidade e talento para fazer o que nenhum dos outros fizera até aquele momento, o gol necessário. A fé. Juan faz o cruzamento e ele escora para o fundo das redes. A alegria invade novamente os nobres corações dos torcedores. E é quando estamos felizes que abaixamos a guarda para a tristeza: o gol é anulado.
O sofrimento se estende por incontáveis minutos. A hostilidade passa a ser visível, para com os jogadores, o técnico, o juiz e até os próprios torcedores. Um bola é ajeitada e batida de longe, sofremos o segundo gol. Apesar da desvantagem numérica, esse é o duro golpe final. A frustração já passa a ser compartilhada. A ira se manifesta em suas diferentes formas, pelas palavras menos usuais. O orgulho é despedaçado e o pânico dá lugar para a tristeza.
Mesmo continuando e apoiando, mesmo fazendo um gol, que tracejou aquela fé novamente mas fora engolido pela aflição do pouco tempo restante, a história pouco mudou. O mau-humor e a irritação estouravam individualmente. Sofremos um último gol e o jogo se dá por encerrado.
A humilhação chega beirando o silêncio. O constrangimento e a vergonha da situação que todos participavam. O desapontamento com aqueles a quem se admira e, enfim, a decepção.
E você vai me perguntar, e para que você vai voltar lá? Por quê vai insistir em passar por isso tudo mais tantas e tantas vezes, como sabemos que acontecerá? A resposta é bem simples: por que se ama. Se ama na tristeza e na felicidade, na satisfação e no descontentamento. Um torcedor de verdade não desiste de torcer, assim como nenhum homem de verdade desiste de viver. Pelo mais difícil que se seja.
É a felicidade, que tão pouco dura, que faz tudo valer a pena.
Seria melhor, apenas, se aprendessemos a evitar os sentimentos obscuros limitantes, mas nossa natureza humana não permite que seja tão simples assim.
Torcer é viver, e vice-e-versa.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Ela.
E firme seguia noite a dentro, determinada em sua caminhada mas, ainda assim, se sentia perdida em sua vida. Tudo parecia tão fácil se ela não fosse ela mesma. Afinal, para todos os outros, viver parecia uma tarefa muito mais simples. A chuva, que parecia cair somente sobre ela, era mais um daqueles obstáculos que se limitavam ao seu universo particular.
Haveriam os que diriam que ela apenas queria encontrar um caminho mais fácil. Haveriam os que diriam que ela reclamava apenas por reclamar. Haveriam os que diriam a ela que não era capaz de ser. Haveriam os que diriam a ela para acreditar, e somente neles ela não acreditaria.
Subia a ladeira enfrentando a água que escorria em seu fluxo natural. Encharcava suas meias de tanto que os próprios tênis já não ofereciam resistência. Pisoteava as bocas das próprias calças, também molhadas e agora cobertas pela lama. A falta de acurácia do andar era compensada pelo peso da, que parecia enorme, mochila nas costas, que não a deixava sair do rumo. Enquanto o vento espalhava as gotículas em toda a sua perpendicularidade e tão pouco aquele escudo de pano em galhos metálicos lhe servia. Desejava estar em volta em sua própria bolha de plástico e chegar logo, e seca, ao seu lar.
Era mais um fim difícil de um dia tanto quanto. Queria chutar uma árvore, tão inocente quanto a própria, correr alguns metros e gritar em alto som. Ainda assim, Se continha em suas pequenas lágrimas, que se misturavam com as que caíam do céu, em sua passada compassada e em seu berro silencioso. E quando a esse ponto alcançava, se mostrava do que imaginava, ou ainda assim seria capaz de ver.
Ela queria ser a melhor no que fazia. Ela queria ter sempre bons resultados. Ela queria que a vida inteira não fosse assim tão difícil. Ela não queria ser mais uma no mundo. Ela não era, só precisava crer nisso.
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Faculdade
Do latim: facultate
Substantivo
fa.cul.da.de
feminino (plural: faculdades)
Força física ou moral que torna a pessoa capaz de atuar e de produzir certos efeitos;
Propriedade;
Qualidade;
Permissão;
Aptidão;
Facilidade;
Destreza;
Capacidade;
Virtude;
Direito, potência moral ou psicológica;
Autorização de fazer alguma coisa;
Escola superior onde se ensina qualquer um dos grandes ramos de saber;
O significado dessas palavra contém todos estes itens, e não só o último como acredita a grande maioria.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Sem Assunto
Fervilha minha mente em idéias, enquanto se mergulha em um lago congelante. Falta o impulso: a primeira frase. E como formá-la se as palavras escapam entre teclas invisíveis que rodeiam cada letra do teclado? Então escrever em branco, em silêncio no já inaudível.
Acredito até que do tanto a se dizer surgiu o nada para declarar. O díficil de decidir como o fazer e por onde começar. A verdade é que eu detesto essas épocas sem criatividade e, infelizmente, isso anda bem cotidiano. Espero que passe logo, e tão logo volte eu a escrever sem parar por aqui.
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
A Regeneração
De certo pouco possuía enquanto embarcava no seu interior silencioso. A vida explodia ao seu redor e se limitava a assistir seu próprio isolamento. Ninguém concordaria que aquele era o momento para olhar para dentro de sí, porém, de alguma maneira injustificável, era o necessário. Não seria o mais adequado contabilizar o tempo utilizado para, visto que era relativo em termos de pensamento, saberia apenas que duraria toda uma vida até alí.
Vira o mundo em muitas cores diferentes, com mudanças a cada segundo. Estouravam no alto em faíscas e faziam o espetáculo do dia em plena noite. Anunciavam os novos tempos, que todo o tempo chegam mas que, por algum motivo arbitrário, se faziam necessários comemorar naquela instância. Os homens de branco o celebravam com tamanho entusiasmo, fossem abrindo suas garrafas, saltando e abraçando ao próximo. Não queria um abraço, só queria começar novamente.
Buscava sua regeneração por acreditar no novo início da vida. Em todo momento isto seria possível, contudo as circunstâncias da vida moderna e seus calendários tornavam daquele o perfeito para. Desejava encontrar, no que viria, sua felicidade. Crescer, construir e formar. Encontrar, enfim, dentro de si o homem que deveria ser e deixá-lo tomar a vida. Aprender a viver era um desafio cada vez maior e cada vez mais imprescindível.
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
O ano de 2008
Comecei em uma aventura na praia da Barra, ao lado dos meus amigos de todo o sempre, Cleber e Rennan, rumo a rave e uma noite de longas caminhadas. Terminou com Fantuzzi, Rene e Francisco em uma, agora sim, muito longa caminhada pela praia de Copacabana até o Arpoador.
Como deu para perceber, de diversão o ano de 2008 foi cheio.
Foram muitos lugares visitados, como o Mangue de sempre, o Shenaningans, o Maracanã e o Pão de Açúcar. Foram as festas, de aniversário e de encerramento da COSQ e do IQ. Foram, também, muitos jogos, como o futebol do IQ, o Ragnarok com a minha irmã, o Gartic, o Pictionary, o Banco Imobiliário dos Simpsons e, evidentemente, o meu PSP (e porque não o PS3 alheio?).
A arte engoliu o ano de 2008 de uma forma mais intesa do que o habitual.
A música, com os inesquecíveis shows de Joe Satriani e do Dream Theater e o ótimo Death Magnetic lançado pelo Metallica, além das muitas coisas que eu comecei a ouvir bastante, como Beatles. O cinema, com os muitos filmes que eu acho que nem conseguiria listar aqui, mas guardo o lugar para O Cavaleiro das Trevas, Wall-E e Ensaio sobre a Cegueira. Os seriados, como o Lost, que se dirige ao seu final, e o hilário The Big Bang Theory. Também não posso deixar de fora o lançamento do mangá da Turma da Mônica Jovem, que me fez lembrar os bons tempos das revistinhas.
2008 também foi um ano entupido de trabalho.
Afinal, todas as matérias da faculdade deram bastante trabalho, fossem com seus trabalhos enlouquecidos e relatório enormes ou com os volumes de matéria avassaladores para as provas mais bisonhas, até mesmo para aprender a dirigir. ambém teve a monitoria do laboratório de informática, as várias coisas que aprendi na iniciação científica, as participações na COSQ e no CAIQ.
Nesse último ano eu aprendi bastante sobre as pessoas, para o bem e para o mal. Confiei, desconfiei, compartilhei, reestringi, temi, enfrentei, odiei e amei. É, foi um jogo louco dos sentimos.
No fim, acredito que todo o trabalho é recompensado, de uma forma ou de outra, só não podemos é parar.
Feliz 09' a todos os zero leitores que eu tenho!
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Feliz Natal !!!
Hoje é o dia em se comemora, nas religiões cristãs, o nascimento de Jesus Cristo. Não obstante, esta data se tornou, para a nossa civilização ocidental, um verdadeiro momento de confraternização.Existe, é claro, toda uma questão comercial envolvida, especialmente quando o assunto é a troca de presentes, mas não vou desmerecer nossa comemoração do fim do ano.
Enfim, não tenho muito a dizer. A comida é boa, uma bola de basquete, um edredon, vários telefonemas e filmes clichês de natal na tv.
Espero estar de volta logo, conseguindo escrever algo que realmente venha a valer a pena ser lido.
Sim senhores, feliz Natal a todos!!!
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
100
Talvez não tenham lido nenhuma, mas o importante é que eu as escrevi.
Espero ter conseguido desencadear meus pensamentos de forma, ao menos, organizada nestes cem relatos anteriores.
Assim sendo, vamos em direção ao próximo número místico !!!!
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Fortes emulsões
Dê uma caneta a um moleque e lhe dê o direito de julgar você. Sabe o resultado?
Não pode contar com a justiça dos homens, que dirá de um garotinho juvenil, criado a leite de moça e guaranazinho na geladeira. Bem, talvez um Away reitor fosse a solução dos nossos problemas.
Nos perguntamos se devemos dar ouvido a essas pessoas. De verdade, não devemos. Parece muito simples, e meramente filosófico, mas é uma opção de ponto de vista. E eu ressalvo, o mundo não se limita à ilha do Fundão. Pelo mais que, para muitos, isso se trate de uma fé.
Enfim, o período se aproxima do fim. Que as sombras descansem e nos deixem viver em paz por algum tempo.
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sábado, 22 de novembro de 2008
Ainulindalë, A Música dos Ainur
E aconteceu de Ilúvatar reunir todos os Ainur e lhes indicar um tema poderoso, desdobrando diante de seus olhos imagens ainda mais grandiosas e esplêndidas do que havia revelado até então; e a glória de seu início e o esplendor de seu final tanto abismaram os Ainur, que eles se curvaram diante de Ilúvatar e emudeceram.
Disse-lhes então Ilúvatar: - A partir do tema que lhes indiquei, desejo agora que criem juntos, em harmonia, uma Música Magnífica. E, como eu os inspirei com a Chama Imperecível, vocês vão demonstrar seus poderes ornamentando esse tema, cada um com seus próprios pensamentos e recursos, se assim o desejar. Eu porém me sentarei para escutar; e me alegrarei, pois, através de vocês, uma grande beleza terá sido despertada em forma de melodia.
E então as vozes dos Ainur, semelhantes a harpas e alaúdes, a flautas e trombetas, a violas e órgãos, e a inúmeros coros cantando com palavras, começaram a dar forma ao tema de Ilúvatar, criando uma sinfonia magnífica; e surgiu um som de melodias em eterna mutação, entretecidas em harmonia, as quais, superando a audição, alcançaram as profundezas e as alturas; e as moradas de Ilúvatar encheram-se até transbordar; e a música e o eco da música saíram para o Vazio, e este não estava mais vazio. Nunca, desde então, os Ainur fizeram uma música como aquela, embora tenha sido dito que outra ainda mais majestosa será criada diante de Ilúvatar pelos coros dos Ainur e dos Filhos de Ilúvatar, após o final dos tempos Então, os temas de Ilúvatar serão desenvolvidos com perfeição e irão adquirir Existência no momento em que ganharem voz, pois todos compreenderão plenamente o intento de Ilúvatar para cada um, e cada um terá a compreensão do outro; e Ilúvatar, sentindo-se satisfeito, concederá a seus pensamentos o fogo secreto.
Agora, porém, Ilúvatar escutava, sentado, e por muito tempo aquilo lhe pareceu bom, pois na música não havia falha. Enquanto o tema se desenvolvia, no entanto, surgiu no coração de Melkor o impulso de entremear motivos da sua própria imaginação que não estavam em harmonia com o tema de Ilúvatar; com isso procurava aumentar o poder e a glória do papel a ele designado. A Melkor, entre os Ainur, haviam sido concedidos os maiores dons de poder e conhecimento, e ele ainda tinha um quinhão de todos os dons de seus irmãos. Muitas vezes, Melkor penetrara sozinho nos espaços vazios em busca da Chama Imperecível, pois ardia nele o desejo de dar Existência a coisas por si mesmo; e a seus olhos Ilúvatar não dava atenção ao Vazio, ao passo que Melkor se impacientava com o vazio. E, no entanto ele não encontrou o Fogo, pois este está com Ilúvatar. Estando sozinho, porém, começara a conceber pensamentos próprios, diferentes daqueles de seus irmãos.
Alguns desses pensamentos ele agora entrelaçava em sua música, e logo a dissonância surgiu ao seu redor. Muitos dos que cantavam próximo perderam o ânimo, seu pensamento foi perturbado e sua música hesitou; mas alguns começaram a afinar sua música a de Melkor, em vez de manter a fidelidade ao pensamento que haviam tido no início. Espalhou-se então cada vez mais a dissonância de Melkor, e as melodias que haviam sido ouvidas antes soçobraram num mar de sons turbulentos. Ilúvatar, entretanto, escutava sentado até lhe parecer que em volta de seu trono bramia uma tempestade violenta, como a de águas escuras que guerreiam entre si numa fúria incessante que não queria ser aplacada.
Ergueu-se então Ilúvatar, e os Ainur perceberam que ele sorria. E ele levantou a mão esquerda, e um novo tema surgiu em meio à tormenta, semelhante ao tema anterior e ao mesmo tempo diferente; e ganhava força e apresentava uma nova beleza. Mas a dissonância de Melkor cresceu em tumulto e o enfrentou. Mais uma vez houve uma guerra sonora, mais violenta do que antes, até que muitos dos Ainur ficaram consternados e não cantaram mais, e Melkor pôde dominar. Ergueu-se então novamente Ilúvatar, e os Ainur perceberam que sua expressão era severa. Ele levantou a mão direita, e vejam! Um terceiro tema cresceu em meio à confusão, diferente dos outros. Pois, de início parecia terno e doce, um singelo murmúrio de sons suaves em melodias delicadas; mas ele não podia ser subjugado e acumulava poder e profundidade. E afinal pareceu haver duas músicas evoluindo ao mesmo tempo diante do trono de Ilúvatar, e elas eram totalmente díspares. Uma era profunda, vasta e bela, mas lenta e mesclada a uma tristeza incomensurável, na qual sua beleza tivera principalmente origem. A outra havia agora alcançado uma unidade própria; mas era alta, fútil e infindavelmente repetitiva; tinha pouca harmonia, antes um som uníssono e clamoroso como o de muitas trombetas soando apenas algumas notas. E procurava abafar a outra música pela violência de sua voz, mas suas notas mais triunfais pareciam ser adotadas pela outra e entremeadas em seu próprio arranjo solene.
No meio dessa contenda, na qual as mansões de Ilúvatar sacudiram, e um tremor se espalhou, atingindo os silêncios até então impassíveis, Ilúvatar ergueu-se mais uma vez, e sua expressão era terrível de ver. Ele então levantou as duas mãos, e num acorde, mais profundo que o Abismo, mais alto que o Firmamento, penetrante como a luz do olho de Ilúvatar, a Música cessou. Então, falou Ilúvatar e disse: - Poderosos são os Ainur, e o mais poderoso dentre eles é Melkor; mas, para que ele saiba, e saibam todos os Ainur, que eu sou Ilúvatar, essas melodias que vocês entoaram, irei mostrá-las para que vejam o que fizeram E tu, Melkor, verás que nenhum tema pode ser tocado sem ter em mim sua fonte mais remota, nem ninguém pode alterar a música contra a minha vontade. E aquele que tentar, provará não ser senão meu instrumento na invenção de coisas ainda mais fantásticas, que ele próprio nunca imaginou.
E então os Ainur sentiram medo e ainda não compreenderam as palavras que lhes eram dirigidas; e Melkor foi dominado pela vergonha, da qual brotou uma raiva secreta. Ilúvatar, porém, ergueu-se em esplendor e afastou-se das belas regiões que havia criado para os Ainur; e os Ainur o seguiram. Entretanto, quando eles entraram no Vazio, Ilúvatar lhes disse: - Contemplem sua Música! - E lhes mostrou uma visão, dando-lhes uma imagem onde antes havia somente o som E eles viram um novo Mundo tomar-se visível aos seus olhos; e ele formava um globo no meio do Vazio, e se mantinha ali, mas não pertencia ao Vazio, e enquanto contemplavam perplexos, esse Mundo começou a desenrolar sua história, e a eles parecia que o Mundo tinha vida e crescia. E, depois que os Ainur haviam olhado por algum tempo, calados, Ilúvatar voltou a dizer: - Contemplem sua Música! Este é seu repertório. Cada um de vocês encontrará aí, em meio à imagem que lhes apresento, tudo aquilo que pode parecer que ele próprio inventou ou acrescentou. E tu, Melkor, descobrirás todos os pensamentos secretos de tua mente e perceberás que eles são apenas uma parte do todo e subordinados à sua glória.
E muitas outras palavras disse Ilúvatar aos Ainur naquele momento; e, em virtude da lembrança de suas palavras e do conhecimento que cada um tinha da música que ele próprio criara, os Ainur sabem muito do que foi, do que é e do que será,e deixam de ver poucas coisas. Mas algumas coisas há que eles não conseguem ver, nem sozinhos nem reunidos em conselho; pois a ninguém a não ser a si mesmo Ilúvatar revelou tudo o que tem guardado; e em cada Era surgem novidades que não haviam sido previstas, pois não derivam do passado. E assim foi que, enquanto essa visão do Mundo lhes era apresentada, os Ainur viram que ela continha coisas que eles não haviam imaginado. E, com admiração, viram a chegada dos Filhos de Ilúvatar, e também a habitação que era preparada para eles. E perceberam que eles próprios, na elaboração de sua música, estavam ocupados na construção dessa morada, sem saber, no entanto, que ela tinha outro objetivo além da própria beleza. Pois os Filhos de Ilúvatar foram concebidos somente por ele; e surgiram com o terceiro tema; eles não estavam no tema que Ilúvatar propusera no início, e nenhum dos Ainur participou de sua criação. Portanto, quando os Ainur os contemplaram, mais ainda os amaram, por serem os Filhos de Ilúvatar diferentes deles mesmos, estranhos e livres; por neles verem a mente de Ilúvatar refletida mais uma vez e aprenderem um pouco mais de sua sabedoria, a qual, não fosse por eles, teria permanecido oculta até mesmo para os Ainur. Ora, os Filhos de Ilúvatar são elfos e os homens, os Primogênitos e os Sucessores.
E em meio a todos os esplendores do Mundo, seus vastos palácios e espaços e seus círculos de fogo, Ilúvatar escolheu um local para habitarem nas Profundezas do Tempo e no meio das estrelas incontáveis. E essa morada poderia parecer insignificante para quem leve em conta apenas a majestade dos Ainur, e não sua terrível perspicácia; e considere toda a área de Arda como o alicerce de uma coluna e a erga até que o cone do seu topo seja mais aguçado que uma agulha; ou contemple somente a vastidão incomensurável do Mundo, que os Ainur ainda estão moldando, não a precisão detalhada com que moldam todas as coisas que ali existem. Mas, quando os Ainur contemplaram essa morada numa visão e viram os Filhos de Ilúvatar surgirem dentro dela, muitos dos mais poderosos dentre eles concentraram todo o seu pensamento e seu desejo nesse lugar. E, desses, Melkor era o chefe, exatamente como no início ele fora o mais poderoso dos Ainur que haviam participado da Música. E ele fingia, a princípio até para si, que desejava ir até lá e ordenar tudo pelo bem dos Filhos de Ilúvatar, controlando o turbilhão de calor e frio que o atravessava. No fundo, porém, desejava submeter à sua vontade tanto elfos quanto homens, por invejar-lhes os dons que Ilúvatar prometera conceder-lhes; e Melkor desejava ter seus próprios súditos e criados, ser chamado de Senhor e ter comando sobre a vontade de outros.
Já os outros Ainur contemplaram essa habitação instalada nos vastos espaços do Universo, que os elfos chamam de Arda, a Terra; e seus corações se alegraram com a luz, e seus olhos, enxergando muitas cores, se encheram de contentamento; porém, o bramido do oceano lhes trouxe muita inquietação. E observaram os ventos e o ar, e as matérias das quais Arda era feita: de ferro, pedra, prata, ouro e muitas substâncias. Mas de todas era a água a que mais enalteciam. E dizem os eldar que na água ainda vive o eco da Música dos Ainur mais do que em qualquer outra substância existente na Terra; e muitos dos Filhos de Ilúvatar escutam, ainda insaciados, as vozes do Oceano, sem contudo saber por que o fazem.
Ora, foi para a água que aquele Ainu que os elfos chamam de Ulmo voltou seu pensamento, e de todos foi ele quem recebeu de Ilúvatar noções mais profundas de música. Já sobre os ares e os ventos, mais havia refletido Manwë, o mais nobre dos Ainur. Sobre a textura da Terra havia pensado Aulë, a quem Ilúvatar concedera talentos e conhecimentos pouco inferiores aos de Melkor; mas a alegria e o prazer de Aulë estão no ato de fazer e no resultado desse ato, não na posse nem em sua própria capacidade; motivo pelo qual ele dá, e não acumula, é livre de preocupações e sempre se interessa por alguma nova obra.
E Ilúvatar falou a Ulmo, e disse: - Não vês como aqui neste pequeno reino, nas Profundezas do Tempo, Melkor atacou tua província? Ele ocupou o pensamento com um frio severo e implacável, mas não destruiu a beleza de tuas fontes, nem de teus lagos cristalinos. Contempla a neve, e o belo trabalho da geada! Melkor criou calores e fogo sem limites, e não conseguiu secar teu desejo nem sufocar de todo a música dos mares. Admira então a altura e a glória das nuvens, e das névoas em permanente mutação; e ouve a chuva a cair sobre a Terra! E nessas nuvens, tu és levado mais para perto de Manwë, teu amigo, a quem amas.
Respondeu então Ulmo: - Na verdade, a Água tornou-se agora mais bela do que meu coração imaginava. Meu pensamento secreto não havia concebido o floco de neve, nem em toda a minha música estava contida a chuva que cai. Procurarei Manwë para que ele e eu possamos criar melodias eternamente para teu prazer! - E Manwë e Ulmo se aliaram desde o início, e sob todos os aspectos serviram com a máxima fidelidade aos objetivos de Ilúvatar.
Porém, no momento em que Ulmo falava, e enquanto os Ainur ainda contemplavam a visão, ela foi recolhida e permaneceu oculta Pareceu-lhes que naquele instante eles percebiam uma nova realidade, as Trevas, que eles ainda não conheciam a não ser em pensamento. Estavam, porém, apaixonados pela beleza da visão e fascinados pela evolução do Mundo que nela ganhava existência, e suas mentes estavam totalmente voltadas para isso; pois a história estava incompleta, e os círculos do tempo, ainda não totalmente elaborados quando a visão foi retirada. E alguns disseram que a visão cessou antes da realização do Domínio dos Homens e do desaparecimento gradual dos Primogênitos; motivo pelo qual, embora a Música estivesse sobre todos, os Valar não viram com o dom da visão as Eras Posteriores ou o final do Mundo.
Houve então inquietação entre os Ainur; mas Ilúvatar os conclamou, e disse: - Conheço o desejo em suas mentes de que aquilo que viram venha na verdade a ser, não apenas no pensamento, mas como vocês são e, no entanto, diferente. Logo, eu digo: Eä! Que essas coisas Existam! E mandarei para o meio do Vazio a Chama Imperecível; e ela estará no coração do Mundo, e o Mundo Existirá; e aqueles de vocês que quiserem, poderão descer e entrar nele. - E, de repente, os Ainur viram ao longe uma luz, como se fosse uma nuvem com um coração vivo de chamas; e souberam que não era apenas uma visão, mas que Ilúvatar havia criado algo novo: Eä, o Mundo que É.
Aconteceu, assim, de entre os Ainur alguns continuarem residindo com Ilúvatar fora dos limites do Mundo, mas outros, e entre eles muitos dos mais fortes e belos, despediram-se de Ilúvatar e desceram para nele entrar. No entanto, essa condição llúvatar impôs, ou talvez fosse conseqüência necessária de seu amor, que o poder deles a partir daí fosse contido no Mundo e a ele restrito, e nele permaneceria para sempre, até que ele se completasse, para que eles fossem a vida do mundo; e o mundo, a deles. E por esse motivo foram chamados de Valar, os Poderes do Mundo.
Mas quando os Valar entraram em Eä, a princípio ficaram assustados e desnorteados, pois era como se nada ainda estivesse feito daquilo que haviam contemplado na Visão; tudo estava a ponto de começar, ainda sem forma, e a escuridão era total. Pois a Grande Música não havia sido senão a expansão e o florescer do pensamento nas Mansões Eternas, sendo a Visão apenas um prenúncio; mas agora eles haviam entrado no início dos Tempos, e perceberam que o Mundo havia sido apenas prefigurado e prenunciado; e que eles deveriam concretizá-la. Assim teve início sua enorme labuta em espaços imensos e inexplorados, e em eras incontáveis e esquecidas, até que nas Profundezas do Tempo e no meio das vastas mansões de Eä, veio a surgir à hora e o lugar em que foi criada a habitação dos Filhos de Ilúvatar. E, nessa obra, a parte principal coube a Manwë, Aulë e Ulmo; mas Melkor também estava ali desde o início e interferia em tudo o que era feito, transformando-o, se conseguisse, de modo que satisfizesse seus próprios desejos e objetivos; e ele acendia enormes fogueiras. E assim, quando a Terra ainda era jovem e repleta de energia, Melkor a cobiçou e disse aos outros Valar: - Este será o meu reino; e eu o designo como meu!
Manwë era, porém, irmão de Melkor na mente de Ilúvatar; e ele foi o principal instrumento do segundo tema que Ilúvatar havia criado para combater a dissonância de Melkor. E Manwë chamou a si muitos espíritos, superiores e inferiores, e eles desceram aos campos de Arda e auxiliaram Manwë, evitando que Melkor impedisse para sempre a realização de seu trabalho e que a Terra murchasse antes de florescer. E Manwë disse aMelkor: - Este reino tu não tomarás como teu, pois muitos trabalharam aqui não menos do que tu. - E houve luta entre Melkor e os outros Valar. E, por algum tempo, Melkor recuou e partiu para outras regiões, e lá fez o que quis; mas não tirou de seu coração o desejo pelo Reino de Arda.
Então os Valar assumiram formas e matizes; e, atraídos para o Mundo pelo amoraos Filhos de Ilúvatar, por quem esperavam, adotaram formas de acordo com o estilo que haviam contemplado na Visão de Ilúvatar, menos na majestade e no esplendor. Além do mais, sua forma deriva de seu conhecimento do Mundo visível, em vez de derivar do Mundo em si; e eles não precisam dela, a não ser apenas como as vestes que usamos, e, no entanto podemos estar nus sem sofrer nenhuma perda de nosso ser. Portanto, os Valar podem caminhar, se quiserem, despidos; e nesse caso nem mesmo os eldar conseguem percebê-los com clareza, mesmo que estejam presentes. Quando os Valar desejam trajar-se, porém, costumam assumir, alguns, formas masculinas, outros, formas femininas; pois essa diferença de temperamento eles possuíam desde o início, e ela somente se manifesta na escolha de cada um, não sendo criada por essa escolha, exatamente como entre nós o masculino e o feminino podem ser revelados pelos trajes, mas não criados por eles. Mas as formas com as quais os Grandes se ornamentam não são sempre semelhantes às formas dos reis e rainhas dos Filhos de Ilúvatar; já que às vezes eles podem se revestir do próprio pensamento, tornado visível em formas de majestade e terror.
E os Valar atraíram para si muitos companheiros, alguns menos grandiosos do queeles, outros quase tão grandiosos quanto eles; e, juntos, trabalharam na organização da Terra e no controle de seus tumultos. Melkor então viu o que era feito; que os Valar caminhavam sobre a Terra como forças visíveis, trajados com roupas do Mundo, e eram lindos e gloriosos ao olhar, além de jubilosos, e que a Terra estava se tomando um jardim para seu prazer, já que seus turbilhões estavam subjugados. Cresceu-lhe então muito mais a inveja; e ele também assumiu forma visível; mas, em virtude de seu ânimo e do rancor que nele ardia, essa forma era escura e terrível. E ele desceu sobre Arda com poder e majestade maiores do que os de qualquer outro Vala, como uma montanha que avança sobre o mar e tem seu topo acima das nuvens, que é revestida de gelo e coroada de fumaça e fogo, e a luz dos olhos de Melkor era como uma chama que faz murchar com seu calor e perfura com um frio mortal.
Assim começou a primeira batalha dos Valar com Melkor pelo domínio de Arda; e sobre esses tumultos, os elfos sabem pouquíssimo, pois o que foi aqui declarado teve origem nos próprios Valar, com quem os eldalië falavam na terra de Valinor e por quem foram instruídos; mas os Valar pouco se dispõem a relatar sobre as guerras anteriores à chegada dos elfos. Diz-se, porém, entre os eldar que os Valar sempre se esforçaram, apesar de Melkor, para governar a Terra e prepará-la para a chegada dos Primogênitos: e eles criaram terras, e Melkor as destruía; sulcavam vales, e Melkor os erguia; esculpiam montanhas, e Melkor as derrubava; abriam cavidades para os mares, e Melkor os fazia transbordar; e nada tinha paz ou se desenvolvia, pois mal os Valar começavam algumtrabalho, Melkor o desfazia ou corrompia. E, no entanto, o trabalho deles não foi totalmente vão; e embora em tarefa ou em parte alguma sua vontade e determinação fossem perfeitamente cumpridas, e todas as coisas fossem em matiz e forma diferentes da intenção inicial dos Valar, apesar disso, lentamente, a Terra foi moldada e consolidada. E assim finalmente estabeleceu-se à morada dos Filhos de Ilúvatar nas Profundezas do Tempo e no meio das estrelas incontáveis.
De John Ronald Reuel Tolkien: Ainulindalë, A Música dos Ainur
O primeiro capítulo de O Silmarillion, e o texto mais legal de todos.
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Métodos em Reflexão
Tudo soa como uma amarga prisão ao nada.
O tempo corre e as lágrimas escoam.
Existe limite apenas para a alegria?
A vontade é de não fazer nada, de não mover uma palha.
Deixe que o vento bata e leve, que ele decida para onde e carregue.
Ele não permitirá, ele decidirá as suas opções.
Mesmo que ele seja apenas uma vidraça.
Monte sua tabela e construa o gráfico.
O que isso vai lhe dizer? O que uma curva vai ser?
Pó por pó. Cinzas por cinzas. Teoria por teoria.
Qual a semelhança entre amor e paixão?
Seja eterno mesmo que a melodia não a siga.
Crescendo, vibrando. Sem paciência.
Que a vontade me permita dar um passo ainda a frente.
Que a realidade não me permita elevar em chamas.
Em cinzas e pó tornar, do essencial místico para o real palpável.
Da tortura se tira a força.
É o que acreditamos.
É o que precisamos acreditar em, para que tanto tenha sentido.
E para que querer tal sentido, quando é única a grandeza mesmo que não sua direção?
Mesmo que não entenda o mundo, questão não faço do mesmo.
Acendam as fogueiras e avisem, eles estão chegando.
Crescente por toda liberdade.
Tomar um último suspiro antes de saltar.
O último gole, no pulso do empuxo.
Se da arte se retira um sorriso, da mesma se toma a beleza.
Reduz-se o sensível a números, lançados e combinados.
Até a própria energia, enfim, descança.
Que das idéias venham rabiscos, que de tão pouco representam.
Do frito e do brilhante, independentemente.
Tão quanto não tenho dúvidas de que preciso organizá-las.
Por enquanto, vou tentar, pelo menos, concretizá-las. Não esquecer.
De tão truncado quanto era o bolero, resolva-se.
Feria na rocha para chegar ao outro lado.
Deseje que retorne, apenas deseje.
Três pedidos, pare de esfregar.
Aglutinado ao mesmo estado, de quem queria provar o mundo.
Gerado degenerado genericamente genializado.
Esqueça-se nas rimas e delicie-se.
Aproveite cada segundo que já perdera.
Leia, pense, imagine, sinta.
A nuvem não mais se move.
Determine seu próprio sentido, pense no resto depois.
A primeira porta que se deve abrir está depois de saltar seu próprio muro.
Escrito em 15 de Setembro de 2008, durante uma aula de métodos físicos em química inorgânica.
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