sexta-feira, 18 de julho de 2008

A colina

De tempos em tempos ele subia ao topo daquela colina.

Ele tinha seu próprio ritual de renovação. Era o caminho para sí próprio. Quando acreditava que havia se perdido, trilhava seu peculiar percurso até aquele lugar.

Olhava toda a cidade de cima, como se fosse possível colocá-la na palma da mão e guardar no bolso. Toda aquela distância transformava em detalhes a grandeza da civilização. E assim, daquele particular ponto de vista, era perfeita. Tornava os problemas invisíveis e, desta forma, inexistentes.

Pensava. Aonde o universo se resumia a sua própria existência. Tudo tinha e tudo era. Conduzia livremente as linhas que desenhavam este tempo, como se tivesse tal lápis. Poderia parar e voltar no tempo, ou tentar se adiantar. Era livre. Nunca ousou questionar o conceito de liberdade, mas sabia que naquele local e naquele momento ele sempre a alcançava.

A vida possuía seu próprio ciclo inevitável, que sempre tendia à aquela situação. Era o ponto zero de qualquer era que havia por se seguir. Ele retornava, para poder retornar.

Não sabia se todos faziam o mesmo. Talvez o fizessem de formas difererntes. Talvez para alguns isso não tivesse a menor importância. Infelizmente, algumas pessoas acreditavam que nunca perdiam seu rumo.

Todos mudam, e não percebem. Existe um lugar em que você é sempre o mesmo, independente do tempo. Cada um tem o seu, e lá se reencontra. Há quem não queira, e quem busque por toda a vida. Ele acreditava ter sorte por conhecê-lo e poder voltar quando necessário.

Tomava um novo fôlego, e então descia da colina. Retomava a vida, de volta aos eixos. Recuperada a essência.