sábado, 1 de agosto de 2009

El Diablo - Parte 02

Três homens saltaram salão a dentro e, como um vigoroso cartão de visitas, fizeram funcionar as longas escopetas que carregavam. A saraivada desordenada, oito tiros de cada um em um mínimo intervalo, se espalhou por toda a área. Tamanho foi o transtorno que algumas das velas acesas se apagaram e alguns dos poucos vidros das janelas ficaram rachados. O diabo fora derrubado e Blankh só percebera isso pelo sumiço de sua sombra.

Se tratavam de três legítimos homens do México. De pele mais morena, olhos arredondados e um deles, que se portava como líder, possuía um autêntico bigode nacional. Fisicamente, não se tratavam de homens preparados para aquele embate. Pelo que vestiam e portavam, deviam se tratar de fazendeiros da região que ali chegaram pelo alarde criado pelo duelo entre o monstro e o garoto. De fato, ali estavam para enfrentar o folclórico vilão daquelas terras, que, até o momento em que derrubaram as madeiras da porta, não passava de um conto.

Para Blankh, o estardalhaço criado era uma oportunidade única para tentar se salvar. Tolo seria quem ainda esperasse um ato heróico do rapaz, nesta situação. Escorregou pelo fundo da sala, seguia em direção a única janela aberta, apesar de não menos quebrada. Se arrastava como um cão, enquanto seus joelhos marcavam seu trajeto com o sangue que lhe escorria vítreo. Era a passagem mais baixa que tinha para o lado de fora. Ergueu-se com os braços apoiados no parapeito, de onde apreciou, por alguns segundos, a brisa daquela noite. Por alguns segundos, pois lançou-se ao exterior da forma como pode fazê-lo.

Para o demoníaco ser, o estardalhaço foi um duro e inesperado golpe. Já havia sido atingido pelo último descarregar do soldado e agora sofria com o impacto de tamanha grandeza, que rapidamente o enviou ao chão. Não que alguma foma de dor o tomasse mas seu estado sobrenatural não o livrava da conservação da energia cinética das balas. Os três 'mariachis' o cercaram em poucos instantes. O maior deles já tentava amarrá-lo com uma longa corda que havia retirado de um dos sinos enquanto subiam as escadas. Pouco se importou com toda aquela movimentação pois esperava resolvê-la muito em breve.

Para os três mexicanos, o estardalhaço era a canção da vitória. Ao ver o enorme corpo negro atravessar todo o último andar da igreja, nem tomaram ciência do homem ferido que se movia sofridamente ao fundo. Invadiram o local e discutiam o que fazer. Se falavam de forma veloz e atropelada, que era acentuada pelos contornos naturais de sua língua. Não demoraram em decidir o que fazer. Começaram, então, a executar seu plano de exorcismo.