sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A Regeneração

Repousava sobre a areia com os braços ao redor dos joelhos. Mirava um ponto distante no interior da noite, sem saber ao certo se era céu ou mar. Tomava sua respiração lentamente, concentrado em cada mínimo movimento que fazia. Não sabia mais, precisamente, onde terminavam seus pés e começava a areia, agora que o mundo parecia tão áspero para seu tato. Ainda assim, ele questionava a existência das gotas que atingiam, se seriam a precipitação dos céus ou mesmo o respingo do profundo.

De certo pouco possuía enquanto embarcava no seu interior silencioso. A vida explodia ao seu redor e se limitava a assistir seu próprio isolamento. Ninguém concordaria que aquele era o momento para olhar para dentro de sí, porém, de alguma maneira injustificável, era o necessário. Não seria o mais adequado contabilizar o tempo utilizado para, visto que era relativo em termos de pensamento, saberia apenas que duraria toda uma vida até alí.

Vira o mundo em muitas cores diferentes, com mudanças a cada segundo. Estouravam no alto em faíscas e faziam o espetáculo do dia em plena noite. Anunciavam os novos tempos, que todo o tempo chegam mas que, por algum motivo arbitrário, se faziam necessários comemorar naquela instância. Os homens de branco o celebravam com tamanho entusiasmo, fossem abrindo suas garrafas, saltando e abraçando ao próximo. Não queria um abraço, só queria começar novamente.

Buscava sua regeneração por acreditar no novo início da vida. Em todo momento isto seria possível, contudo as circunstâncias da vida moderna e seus calendários tornavam daquele o perfeito para. Desejava encontrar, no que viria, sua felicidade. Crescer, construir e formar. Encontrar, enfim, dentro de si o homem que deveria ser e deixá-lo tomar a vida. Aprender a viver era um desafio cada vez maior e cada vez mais imprescindível.