quarta-feira, 3 de junho de 2009

Do inverno

Da raiz do corpo surge
Eluindo, polegada por polegada
Até que atinge as primeiras dobras
E, lentamente, se acalma

Leve atmosfera
Afiada, contra a pele
Rouba a agitação
Cresce o custo de cada segundo

O sono que te convida
Leito que te convence
Mais cinco minutos fica
Torcendo para durarem para sempre

Troca o sorvete pelo café-com-leite
Perto do fogão para ficar quente
Cobertas retiradas, reviradas, do fundo do armário
Conforto de não se sentir sozinho

E o Sol que se esconde
Ou aparece, quase que por obrigação
Se faz só por iluminar
Esquece-se do aquecer

Sente a saudade de transpirar
De pular do quente do piso
Do girar dos ventiladores, ao máximo
Do papo sobre o calor no elevador

Verdade é que o frio desacelera
Nos deixa mais sós quando sós
Mais tristes quando tristes
Mais nós quando nós

Verdade é que o frio só desperta
O querer ficar junto
O querer ficar feliz
O querer ser feliz