A alguns anos atrás, surgiam na internet as primeiras músicas, em versão ao vivo, do próximo álbum do Metallica. Francamente, para a maioria das pessoas que gostavam do thrash 80', a banda andava sem qualquer crédito, depois de três álbuns puramente comerciais, a lá trilha "metal" de cinema, e um resultante de uma terapia de grupo, que não vai muito além de um panelaço longo e irritante. Essas músicas não era diferentes disso.
O Metallica nunca foi uma das minhas bandas favoritas, mas de certo guardo um certo apreço por seus quatro primeiros álbuns. Não esperava nada realmente legal do disco novo, só que não fosse tão ruim quanto o St. Anger. Olhando assim, parece até fácil.
Em "Death Magnetic", eles realmente surpreenderam. Na verdade, eu estava muito ansioso desde que ouvi "The Day That Never Comes" a alguns dias atrás. Era aquele Metallica. Aquele que todo fã metaleiro maluco diz que o Metallica não é mais desde que você se lembra por gente. Abertura limpa, solo expressionista, boa pegada e um refrão arrasador. Para mim, uma música ainda era pouco, e então comecei a contar os dias, para ter certeza de que tudo seria daquele nível.
"That Was Just Your Life" era exatamente o que eu desejava que começasse o álbum, mas o que nem o meu lado mais otimista (vide Flamengo Campeão Brasileiro 2008) conseguiria imaginar. Uma introdução que mantém o mistério do que virá, cortada por um riff pesado, do thrash que parecia só o Slayer sustentar atualmente. O solo é o grito de um gigante adormecido. Parece que finalmente desalgemaram o Kirk e disseram: Ei, agora você pode solar. E que solo.
"The End of the Line" é a primeira música que eu quero ouvir no meu carro. Não sei porque, mas Metallica sempre me deu vontade de dirigir. Ela consolida a idéia de que a pegada da pancadaria deles está de volta, e, evidentemente, o wah-wah do Mr. Hammet também, para minha felicidade geral. Ela descansa e se ergue novamente. "The slave become the master!". Nessa música, eu já sabia que aquele era um dos melhores álbuns que eu ouviria este ano.
"Broken, Beat & Scarred" é uma canção daquelas. Um fraseado imbatível, quebradas insanas, e uma inconfundível energia de Metallica. Destruam tudo o que tiverem por perto, eles atacam novamente, assim como o Coringa do Cavaleiro das Trevas.
Então vem a faixa que eles haviam usado para divulgar, como citei anteriormente. Ela se encaixava naquilo tudo. Tive certeza então, de que estaria muito feliz ao terminar de ouvir o álbum. Assim meu dia se fez mais feliz, depois desta manhã tão esperada.
Minha música favorita do álbum, neste momento, é a quinta faixa "All Nightmare Long". Carregada de uma base bem definida e um refrão viciante (e olha que refrão nunca foi a especialidade deles), foi de escutar uma vez e não largar mais. Não sei como eles aprontaram aquelas linhas de guitarra, são as mais legais que ouvi em muito tempo.
"Cyanide". Os instrumentos seguem os gritos de Hetfield, como se regesse toda a banda. Onde eles haviam guardado todos esses riffs nos últimos vinte anos?! Talvez o tenham feito para este álbum, e, já aviso, valeu a pena.
"The Unforgiven III" parecia uma piada para mim, quando li a setlist desse álbum em algum site desses, meses atrás. Afinal de contas, a I e a II já era por demais parecidas, e baladas bem gastas. É claro que não foi nada disso. Acredito que eles tivessem muito a necessidade de fechar uma trilogia, então regressando para sua alma de metal.
Os compassos quebrados estão de volta em "The Judas Kiss". Não há nem mais muito o que se dizer, eu já estava domado por essa nova antiga onda quando eles perguntaram: "So what now? Where do I head?".
"Suicide & Redemption" traz de volta o peso instrumental da banda. Isso sim, eu acreditava que jamais ouviria novamente. Hetfield de volta aos solos, mostrando porque eu gosto muito mais dele tocando do que o Kirk. E esse maldito toca ao mesmo tempo.
"My Apocalypse" fecha a obra, não deixando qualquer dúvida de que você difícilmente se esquecerá dela depois de ouvir por completo. Até o Portnoy se rendeu depois desta.
E, antes que alguém venha me dizer: "Aha, você baixou o disco antes mesmo de sair!", eu já adianto: você se arrependerá de cada segundo que passou sem ele.
Agora é esperar o show em março do ano que vem, para manter a tradição.
É, mais espera.
Espero que tenha mais recompensa.
Tá esperando o que? Corre e vai ouvir também!

