Seguia lentamente rua acima. A cada firme passo dado aproximava-se de seu lugar.
Todos tem seu lugar no mundo. Algumas vezes se vive para encontrar, e outras se vive para deixar. Não é simples, muito menos concreto. Independente de caminho e localização, o lugar é um só, e não está apenas na projeção externa.
A fina chuva caia sobre ele. Carregava com ela o peso da terra e aumentava o peso do tempo. Andava sobre o asfalto, e para todo o lado espalhava a água. Não fazia mais diferença andar ou correr. Nunca fizera, aliás. Qualquer uma das duas levaria ao mesmo lugar. E nenhuma o deixaria menos molhado.
Não era tarde mas ainda restavam poucas luzes acesas. Não haviam mais cores, só o claro e o escuro. O que se via, e o que se não. Achava apenas ter visto uma luz cortando seu horizonte, ao longe, e logo a seguir sentira-se sozinho de novo. A única companhia que parecia ter eram as gotas que caiam em fluxo quase constante.
Ainda tinha um canção na cabeça, que seguia a repetir. Uma daquelas que se ouve a muito tempo, feita a tanto tempo, que nem diferença faz se lembra quem a fez e qual é. Repetia um trecho que parecia não ter fim, de uma letra que lembrava o som, mas não tinha a menor idéia do significado. Não que não fosse capaz de entender, mas que jamais parara antes para refletir sobre. Repetia, e caminhava.
Refletia-se na água já tombada e ainda não absorvida pelo mundo. Refletia-se nos questionamentos de uma mente em dúvida, entretanto não duvidosa. Perdida no meio do jogo de palavras, e tão intrigante quanto a própria língua se fizera, sem ao menos perceber.
Era a natureza do tempo. Seguia para o seu lugar, sem nem ao menos desejar chegar. Apreciando cada instante do caminho. Pois ali ele existia. Único. E decidia o mundo, a vida e o tempo. Mas sabia que, apesar de, não era capaz de impedir seu destino. Chegar. Mesmo no desejo de durar para sempre, havia a certeza de se alcançar o lugar.
Buscava apenas encontrar a felicidade, perdida em algum lugar.
Originalmente postado em Bards Around, em 16 de dezembro de 2007.
Todos tem seu lugar no mundo. Algumas vezes se vive para encontrar, e outras se vive para deixar. Não é simples, muito menos concreto. Independente de caminho e localização, o lugar é um só, e não está apenas na projeção externa.
A fina chuva caia sobre ele. Carregava com ela o peso da terra e aumentava o peso do tempo. Andava sobre o asfalto, e para todo o lado espalhava a água. Não fazia mais diferença andar ou correr. Nunca fizera, aliás. Qualquer uma das duas levaria ao mesmo lugar. E nenhuma o deixaria menos molhado.
Não era tarde mas ainda restavam poucas luzes acesas. Não haviam mais cores, só o claro e o escuro. O que se via, e o que se não. Achava apenas ter visto uma luz cortando seu horizonte, ao longe, e logo a seguir sentira-se sozinho de novo. A única companhia que parecia ter eram as gotas que caiam em fluxo quase constante.
Ainda tinha um canção na cabeça, que seguia a repetir. Uma daquelas que se ouve a muito tempo, feita a tanto tempo, que nem diferença faz se lembra quem a fez e qual é. Repetia um trecho que parecia não ter fim, de uma letra que lembrava o som, mas não tinha a menor idéia do significado. Não que não fosse capaz de entender, mas que jamais parara antes para refletir sobre. Repetia, e caminhava.
Refletia-se na água já tombada e ainda não absorvida pelo mundo. Refletia-se nos questionamentos de uma mente em dúvida, entretanto não duvidosa. Perdida no meio do jogo de palavras, e tão intrigante quanto a própria língua se fizera, sem ao menos perceber.
Era a natureza do tempo. Seguia para o seu lugar, sem nem ao menos desejar chegar. Apreciando cada instante do caminho. Pois ali ele existia. Único. E decidia o mundo, a vida e o tempo. Mas sabia que, apesar de, não era capaz de impedir seu destino. Chegar. Mesmo no desejo de durar para sempre, havia a certeza de se alcançar o lugar.
Buscava apenas encontrar a felicidade, perdida em algum lugar.
Originalmente postado em Bards Around, em 16 de dezembro de 2007.
