domingo, 17 de agosto de 2008

Abstração - Parte 1

Era como despertar de um sonho
Do profundo escuro irrecordável
Não fosse passível de descrição
Pelo mais sincero que o desejo fosse

Inerte por completo
Fixo em um único estado
Contudo ainda havia algo para
Levantar e recomeçar

Pesava intensamente o tempo
Infinitesimalmente a cada instante que se passava
Cada vez mais sofrido
E cada vez mais vivido
Pensava intensamente a cada instante.

Através da barreira de vidro
Ver sem tocar
Sentir sem transpassar
Existir sem ser

Mirava o céu
Almejava o vôo
Já não temia a queda
Mas admirava o brilho

Faltariam palavras
Apenas acontecia
De onde surgia
Do frio que seguia
Da solidão que abatia
De onde qualquer um saltaria para o fim
Continuava

Se era errado
Tempo perdido
Nada mais era preciso
Atirasse para o longe
E vivesse a tentar esquecer

No além das teorias falhas
Na fé do tão real se tornar desconexa
Quando medo fosse o guia vendado
E os ponteiros voltassem ao outro lado

Se tudo que tocava se tornava triste
Maldição insustentada
Receava de cada movimento
E o destino assim se construia
Onde a escuridão consumia

Mais difícil do que se
Ousava ainda tentar dizer
Que pelo mais que pudesse vir a parecer
Não era infeliz com tudo isso

Não importaria
Existia algo maior
Que não se perderia
Independente do futuro
Que pulsaria por tudo


E quando qualquer outro no mundo diria que não viveria isso
Teria ainda um único que diria que vale a pena.





Originalmente postado em Bards Around, em 16 de novembro de 2007.