segunda-feira, 16 de junho de 2008

Em Busca da Essência: Parte 2

Tempo.
Afinal, o que é tempo?

Passado. Presente. Futuro.
Apenas palavras.

Passado. O que passa. Passa mas continua.
Neste momento, é aquele pelo qual nada mais se pode fazer, afinal, já foi. Mesmo ainda sendo.
De certa forma, é uma passagem interessante.
São as lembranças. As memórias, felizes ou trágicas, que são guardadas, onde é formado o fenótipo.
E ao contrário do outro fator genético, que é carregado desde o início da existência, este está em constante movimento.
É a história já escrita, de onde se aprende, se forma e se fundamenta um indivíduo.
Mas, afinal, novamente, já se foi.
Só viver o passado é ficar preso no tempo. E é preciso olhar para a frente.

E olhar para a frente agora.

Presente. O que é agora, e o que o daqui a pouco será daqui a pouco, e o ainda a pouco era ainda a pouco.
O instantâneo. O que se pode chegar muito próximo, mas nunca ser exato.
Afinal, uma imagem é instantânea, mas um movimento é formado de infinitos instantes.
Por mais que se possa se determinar e se conhecer, e até mesmo se perceber, já chegou e já se foi.
É quando se pensa, quando se sente, e quanto o que vem parece longe e o que se foi também.
Só viver o presente é só viver.

E então o da frente chega.

Futuro. O que deverá ser, e já é, e agora já foi oras. Mas ainda é o que ainda será.
É o que se tem que pensar em.
Se planejar.
É o que será, incontestavelmente, o presente e o passado.
É, de todos, o que se pode mudar, e tem que se modificar agora, por que depois, vira apenas memórias, e memórias não mudam.
Só viver o futuro é não viver agora, e esperar que o tempo o traga a vida.

Tempo.

O que é tempo?


É o tempo.
A dimensão na qual se vive e se existe.,
Existir é diferente de viver.
E só se vive por completo se se vive o tempo todo.




Para mim, o tempo existe quando se está sozinho.
E, particularmente, ando passando muito tempo sozinho.

Não que só se viva quando se está sozinho, mas é o momento em que vida e tempo realmente tem sentido e demonstram bravamente toda a sua potência sobre nossa existência.

Solidão tem uma consequência. Você precisa se comunicar com alguém.
E então, você fala com você mesmo.
Pensa.
Pensa até demais as vezes.
Por minha vez, ando pensando demais demais.

Ainda penso que preciso de um tempo para mim mesmo.
Apesar de ter todo o tempo para isso desde sempre.

Preciso sair e ficar sozinho. Ou melhor, junto de mim mesmo.
Por uns tempos.
Aliás, por todo o tempo.
E então, poder voltar.
Começar de novo, sem terminar.

E agora, o que falta mesmo, é tempo.
E sobram dúvidas. Mas as respostas estão aqui, só falta achá-las.
O importante mesmo é perguntar.


Começar de novo, sem terminar.

Escrever músicas, escrever livros.
Aprender. E ensinar.
E atravessar o enorme deserto da vida, e então tomar um pouco da água do oasis tão desejado.

É o começar de novo.

Mas antes de qualquer coisa, é preciso ir, mudar sem deixar de continuar, e voltar para cá.

A Essência não ficou para trás.
Pelo mais que tenha se perdido por um tempo.
A jornada por ela nunca termina.

E dessa vez, apenas recomeça. Mesmo sem terminar. Com força e brilho diferentes.

É A Vida.
É O Tempo.


Carlos Eduardo





Originalmente postado em Bards Around, em 16 de junho de 2007, a um ano atrás.