terça-feira, 3 de junho de 2008

De olhos fechados

De olhos fechados,
o brilho do escuro
segue estalando
tão diminuto.

Sentidos se espalham
na essência da alma,
e percebe o que o brilho
da luz escondera.

Do tanto convexo
do mundo ao avesso
do ponto desconexo
beirando um eixo

Datas perdidas
de razões corrompidas.
De tempos passados
e histórias não lidas.

E ao centro se dirige
todo o encantamento.
Na exaustão da vida,
vive.

Pulsa a abstração,
conforma o contorno,
desloca a adimensão e,
vibra o novo.

De olhos fechados
a linha se segue,
os detalhes se escapam,
e o pecado se esconde.

Perfeição trivial
que no pote mistura,
une e recria
e então: sonhe.

Máquina sem limite
contudo finita,
organiza e processa,
registra e reproduz.

Montar
e desmontar,
e assim manter,
equilibrar.

Onde o limite
é uma opção,
e alcançar é
querer.

De olhos fechados
manipulando a subrealidade.
Do improvável ao irrestrito,
o topo.

De olhos fechados,
eu vejo você.


Carlos Eduardo





Texto escrito em um engarrafamento de saída do Fundão

Originalmente postado em Bards Around, em 10 de dezembro de 2007

E eu escrevi para você.