terça-feira, 6 de maio de 2008

O dia em que o Lord Jim fechou.


Sim, meus amigos. Chegou ao fim, no dia 30 de Abril de 2008, depois de mais de 30 anos de funcionamento, a era de funcionamento do "The Lord Jim Pub", o bar inglês mais famoso da Ilha do Fundão. Mas... para que estou eu aqui dizendo isso?

A pergunta mais importante é: por que deixamos o Rene combinar tudo?!

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008: eis que toca o telefone daqui de casa. Do outro lado da linha, ele! Rene!!! Empolgado, por algum motivo desconhecido, me convence a ir ao Lord Jim sábado, e levar junto o pessoal: Rapha, Fantuzzi, Francisco e Breda.

Não, as datas não estão erradas.

Depois de uma épica jornada até a Estátua da Liberdade (New York, City Center) e de embarcar em uma suicida viagem de ônibus, ao som de reclamações dos passageiros para o motorista andar mais devagar, não é ironia, chegamos, eu e Rapha, enfim ao nosso destino. Tal qual seria se Frodo e Sam encontrassem o Pônei Saltitante fechado quando chegaram em Bri, encontramos em estado obscuro e abandonado o lendário Lord Jim.


Em um misto de ódio, do Rene, é claro, confusão e súbita crise de risos, nos confortamos em esperar e assistir a chegada dos outros viajantes desavisados, como se assistíssemos uma Pegadinha do Faustão ao vivo, escondidos espertamente na penumbra da banca de jornal. Enquanto isso, o porteiro do prédio ao lado se divertia ao acender a luz para as meninas que passavam e nos deixando no escuro quando sós. Sim, nós vamos para o inferno.

E, mais uma vez, portados de um infeliz lapso insanidade iluminada, voltamos a ouvir Rene, nosso guia pela Zona Sul, e sua sugestão de saída. Fomos a pé até a praça do ponto final do 485, beirando a praia, para então decidir entre o Irish Pub, Banana JACK e o, então escolhido, sabe-se lá como, Shenanigan's.

De certo era a opção mais cara, contudo, certamente foi a mais divertida. Afinal, onde mais chegaríamos perguntando "Qual é o esquema?"?

No ponto em que a sorte parecia não mais retornar, estávamos dentro do bar cheio, em pé e, brevemente, falidos, a trama teve sua reviravolta.

A chuva começou a cair no nosso exterior, trazendo o otimista pensamento passageiro de "Só faltava mesmo começar a chover...", e, ao menos tínhamos um teto.

Então, de forma um tanto mística, os leprechaus trouxeram a nós o Pote de Ouro do fim do Arco-Íris que se formaria ao terminar a chuva e surgir o Sol (a narrativa está bela demais para lembrá-los que isto aconteceu por volta das onze da noite.). Sim!! Populares se ergueram de sua mesa e se retiraram do bar, e um rápido movimento saído da beirada da mesa de sinuca, nos tomamos do melhor lugar que poderíamos desejar.

Daí em diante, diversão se tornou a única lei, e todos desejavam que a noite não tivesse fim, até serem consumidos pelo cansaço. Após muitos copos, piadas, batatas fritas, juras de morte, partidas de ShowBol, mais piadas, Brownie Surprises, FlashBacks (que não podem faltar), conversas com a garçonete, caramelos amassados, lendas de Goiânia, músicas que nem me lembro, conhecer a casa do Rene, ver uma batida ao vivo, ler uma placa com palavras-chave "Internet, Gelo, Sapateiro", seguimos para nossa merecida noite de sono (obrigado pela sempre impecável hospitalidade Fantuzzi =D, e pelo álbum do Opeth também).

Encontramos um novo lugar para nos divertir, apesar dos danos causados ao orçamento.
Foi um dia daqueles para não se esquecer, e por isso fiz questão de aqui registrar.
E que muitos outros desses venham,
E sim Breda, sentiremos a sua falta!
Carlos Eduardo



"There are no strangers here - only friends who haven't met."




Originalmente postado em Contra-Teoria