sábado, 12 de dezembro de 2009

No Sapatinho We Can

Vou confessar que nunca fui fã desse sistema de pontos corridos do Campeonato Brasileiro. Afinal, nos últimos anos, vimos times serem campeões vencendo só os times pequenos e, olha lá, por 1x0. Esse ano, de 2009, isso foi bem diferente. A emoção voltou, dentro e fora de campo. Do lado de fora, não teve um brasileiro que não tenha feito contas com a tabela do Brasileirão nas mãos, durante o último mês. Tanto para a parte de cima quanto para a parte de baixo. Do lado de dentro, a garra e a determinação passaram a ser elementos muito mais importantes de que jogadas aéreas bem treinadas.

O Flamengo e, por que não, o Fluminense, foram grandes provas disso. De um lado, um time que já diziam não ter nada a buscar no campeonato, além de uma vada na pífia Copa Sulamericana. Do outro, um time que a matemática dizia estar com 99% de chances de ser rebaixado. Bem, para nós que entendemos um mínimo de matemática, 1% pode sim ser muita coisa.

Nos dois times, técnicos cairam e astros diveram seu futebol questionado. Um sérvio de 37 anos chegava ao Flamengo, após uma estranha negociação de dívidas, para assumir o papel de homem de criação. Papel, aliás, que, desde a sua última passagem pelo time, não era bem exercido. No Fluminense, Fred, a última esperança, se recuperava de uma grave contusão, enquanto a equipe despencava pela tabela. A crise se anunciava.

Todos erraram. O camisa 43 do rubro-negro, ao lado do Imperador com a 10 e mais muitos outros guerreiros, derrubaram todos os favoritos ao títulos, tomando de vez o seu lugar e conquistando o título. O artilheiro se recuperou do outro lado, e liderou o tricolor a uma incrível disparada, ruma a série A, novamente, no ano que vem.

A imprensa, descobriu um Flamengo favorito ao título e um Fluminense praticamente salvo, apenas na penúltima rodada do campeonato. Para os torcedores, isso já era visível a muito tempo.

O que um time precisa para ter sucesso? Raça. Disputar um título, sem se tornar um alvo a ser batido ou carregar a pressão de uma longa liderança. Jogar o simples, mas jogar o jogo de verdade. Correr atrás de cada bola como se fosse a última por que, afinal, todas são.

Esse espírito foi agregado ao time do Flamengo pelo Andrade. Técnico, no início, muito criticado, até por mim mesmo. Pela falta de experiência e simplicidade, poucos acreditavam no seu trabalho. Mas os jogadores sempre acreditaram. E jogaram, por ele e com ele. É um grande homem do futebol, ao qual muito devemos.

A última coisa que eu ia imaginar, depois de ver o meu time Tricampeão Carioca, era o Hexacampeonato Brasileiro, com meu ídolo da infância, Petkovic, e de sempre, Adriano, no time. Quem diria. Foi sofrido até o último jogo, mas chegamos lá.

É isso. Parabéns Clube de Regatas do Flamengo, pelo seu sexto título do campeonato nacional de futebol mais importante do mundo!




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