quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O Apagão

Era uma terça-feira quase como qualquer outra costumava ser. Aquele cansaço habitual do fim do ano com o sono pesando durantes as aulas chatas que vão se terminando. A diferença era que eu tinha combinado com o Fantuzzi de terminar os relatórios de TCQT, na casa dele depois da aula. A história daquele dia mudou quando, depois de jantarmos nossa pizza do AlCapone, eu sentei diante do computador e repousei minha mão sobre o 'mouse'.

De certo já vi a luz faltar por várias vezes na minha vida, mas nenhuma dessa forma. Não foi um estalo súbido, do qual somos, rapidamente, engolidos pelo escuro. Foi gradual e oscilante, como em uma cabana perdida no meio de uma estrada em um bom filme de terror. Do reflexo, somente o desligar o estabilizador para não perder o trabalho de vez. Começava aí a aventura.

Imersos nas risadas de desespero, tomamos telefonemas para logo descobrir que toda a cidade estava na mesma situação obscura. Com a continuidade do trabalho totalmente prejudicada resolvemos, então, observar os resultados deste incidente, ao menos na Zona Sul. E tudo o que tinhamos era uma lanterna.

Subimos e descemos os oito andares do prédio duas vezes, ajudando uma moça que chegava com suas compras (para buscar os chinelos que haviamos esquecido e deixar o Lucca em casa também). Ao chegar na rua, enfim, a imagem era incrível. Para falar a verdade, me lembrei de tantos filmes que nem conseguiria colocar todos aqui.

Não sei se o mais interessante é o que vimos ou o que não vimos. De fato, muito pouco vimos. Fossem as três garotas fazendo movimentos suspeitos perto da placa de trânsito, a estranha filmagem que estava acontecendo no fim da praia, os pré-jacks no calçadão, o inusitado Horti-Frutti totalmente iluminado, a torcida de rua, as belas damas na porta do Copacabana Palace.

A verdade é que tinhamos o poder, tinhamos a luz. Uma inversão dos valores acontece rapidamente nessas situações. O mais incrível era poder escolher entre enxergar ou não a rua com o apertar de um botão.

Voltamos para casa quando cansados de andar (e de subir escadas). Resolvemos acompanhar as notícias no rádio. O repórter perdido, enquanto informava alguns bairros que já possuíam luz direto das informações dos ouvintes no Twitter, como Flamengo e Botafogo, acabou por soltar que "o Vasco também voltou". Sim senhores, o Twitter garantiu a cobertar ao vivo do Apagão (claro que confiabilidade zero das notícias).

Ao menos uma coisa o repórter acertou, a luz voltou precisamente à 01:00 de hoje e, bem, lá fomos nós trabalhar. Acreditando ou não, até que rendeu um pouco, apesar de tantos imprevistos.

Lição do dia: Chaer e Saramago, lado a lado, é um mal presságio.