Um homem. Careca, barrigudo, bigodudo, rabugento e, creio eu, muito do infeliz. Diria até que não merece o primeiro substantivo que utilizei: "homem".
Das muitas coisas que ouvi dele hoje, destaco: "Você tem o direito de discordar, só que eu não tenho que justificar a minha correção..." e "Eu devia ter dado um zero, mas não consigo fazer isso.". Realmente, não quero ir muito além disso.
De verdade, ele não estava totalmente errado. Aliás, totalmente errado estava eu naquela prova. Porém, isso não o dá o direito.
Eu aturo aquele cidadão todas as quartas-feiras do meu semestre. Escuto ele dar as explicações cheias de rodeios das mesmas coisas estúpidas, contar as mesmas histórias e, até mesmo, contar sobre experiências que teremos na "indústria", na qual ele mesmo nunca trabalhou, tendo em vista que nunca deixou os limites sórdidos do quinto andar em sua vida profissional.
Assim, tenho o mesmo direito de estar naquela turma que qualquer outro aluno lá presente, e não foi à toa. Não foi porque cheguei até lá colando ou fazendo todas as matérias com os mamatas. Tenho o mesmo direito, e com o mesmo respeito mereço ser tratado, sendo um imbecil ou um gênio.
O que eu aprendi com ele? Que, mesmo dando aula a uns 40 anos a menos que ele, sou muito melhor professor, profissional e, por que não, pessoa.
Não queria nenhuma piedade, desse zero e eu que me virasse.
