Seria fácil decidir qual banda eu mais ouvi durante esse ano: Dream Theater.
Resolvi, então, fazer uma matéria especial sobre a discografia desta banda que eu aprendi a gostar. Às vezes temos que dar uma chance aos nossos ouvidos para aprenderem a apreciar a música diferente da nossa habitual. Se você der uma chance as viagens sonoras desses caras, não irá se arrepender depois que aprender a ouvir.
Farei uma breve narrativa sobre cada álbum em suas respectivas ordens de lançamento e me darei por satisfeito se convencer a um único leitor de escutar estas obras.
- 1989 - When Dream And Day Unite : O Primeiro Passo
Talvez esse fosse um álbum que não chamasse a menor atenção se não fosse por seu sucessor, mas ainda digo que há muito de Dream Theater nele.O melhor exemplo é "The Killing Hand", onde a banda exibe sua primeira composição dividida em diferentes atos.
A primeira canção instrumental também está nele, The Ytse Jam (Majesty ao contrário), onde os fantásticos intrumentistas mostram seu talento.
"Afterlife" e "Only A Matter Of Time" são duas incríveis canções guardadas neste álbum, que apenas peca pela falta de recursos na sua produção, mas apesar da falta de brilho já indica o caminho que se seguiria.
- 1992 - Images And Words : A Obra Prima
É um dos melhores álbums que eu já ouvi em toda a minha vida, e não há nele uma única música que não seria colocada entre as melhores da banda.De "Pull Me Under" e sua batida viciante, o maior sucesso deles; dos solos incríveis de Petrucci em "Another Day" e "Under a Glass Moon"; das jams de "Metropolis Pt. 1: The Miracle and The Sleeper"; da belíssima "Surrounded"; da delicada "Wait For Sleep"; de "Learning to Live", que tem o melhor de todas as outras músicas.
Esse é um disco para ser apreciado em sua essência, de cada palavra a cada fraseado. "Images and Words" é indispensável para qualquer pessoa que gosta de música.
- 1994 - Awake : A Força
Não seria possível imaginar que depois do belo álbum que o antecede, surgisse algo tão poderoso assim. Recheado de canções de peso como "Voices", "The Mirror" e "Lie"; com os rasgados de LaBrie em "6:00", "Caught in a Web" e "Scarred"; com as belas "Innocence Faded" e "The Silent Man"; com os sonhos de John Myung em "Lifting Shadows Off A Dream", que traz com ela, além de uma bela melodia e trabalho nas linhas de baixo e guitarra, uma letra muito interessante sobre a dualidade do homem.
Aqui foi decretado que para eles não existem limites musicais.
- 1995 - A Change Of Seasons: A Vida
Mesmo não sendo um álbum de estúdio oficialmente, este EP merece o seu destaque aqui. Não apenas pelos belos covers de Led Zeppelin, Deep Purple, Pink Floyd, entre outros, mas pela canção que leva o seu nome."A Change Of Seasons" é uma das canções que eu mais gosto, de todas. Já provei de todos os sentimentos possíveis ao seu som, e a todos ela foi satisfatoriamente descritiva. Composta por Portnoy em homenagem a sua mãe que havia falecido, são os 23 minutos e 6 segundos que me convenceram, definitivamente, a gostar da música peculiar destes caras.
A canção narra a história de uma vida, tendo suas passagens de acordo com as estações do ano. A construção é muito interessante, tendo passagens intrumentais que indicam a mudança da estação e uma bela letra em toda ela.
- 1997 - Falling Into Infinity : O Sentimento
Talvez este seja um dos álbuns mais contraditórios da banda que muitos reclamam do excesso de virtuosismo e falta de 'feeling'. O que ouvimos aqui é bem diferente deste stigma habitual sobre o progressivo.Do lado mais pop em "You Not Me" a furiosa "Burning My Soul", este álbum é um exemplo a amplitude sonora deles. O lado mais emocional aparece em "Hollow Years", "Lines in the Sand" e "Anna Lee". O brilho especial é dado pela belíssima "Trial of Tears", que o encerra, e "Peruvian Skies", que mostra um das melhores composições em termos rítmicos.
Talvez não seja o álbum mais Dream Theater deles, mas não deixa a desejar perto de nenhum dos outros.
- 1999 - Metropolis Pt. 2: Scenes From A Memory : A História
Esse é, sem muitas dúvidas, o álbum mais belo da banda. "Metropolis Part. 2", continuação da canção lançada no "Images and Words", seria apenas uma canção no novo registro, mas acabou se tornando um único disco.Este conta a história de Nicholas, que se submete a uma regressão, onde encontra Victoria, quem era em outra vida, e começa a compreender sua natureza através dos olhos dela.
Notas para as grudentas "Strange Dejá Vù", "Beyond This Life" e a quase árabe "Home", que são daquelas difíceis de tirar da cabeça por semanas. Há espaço para as tranquilas "Through Her Eyes", excelente vocal, e "The Spirit Carry On", com mais um solo daqueles de John Petrucci. Se encerra em "Finally Free", que relê alguns momentos da obra inteira, e dá um belo encerramento a história.
- 2002 - Six Degrees Of Inner Turbulence : O Colosso
Este álbum, de tão gigantesco, foi gravado em dois diferentes discos, e assim irei tratá-los.O primeiro trás cinco canções fortes, das indispensáveis do repertório. "The Glass Prision" é uma pancada das melhores, contendo um solo surreal de Petrucci e Rudess. Há ainda a bela "Misunderstood", uma das minhas canções favoritas deles, e as desconcertantes "Blind Faith" e "The Great Debate".
O segundo disco trás consigo os seis passos da turbulência interna. O que ele conta são, na verdade, seis distúrbios da mente humana. "About to Crash" e sua mais leve "Reprise" lidam com transtorno bipolar. As pesadas "War Inside My Head" e "The Test That Stumped Them All" falam sobre estresse pós-traumático e esquizofrenia, respectivamente. A emocional "Goodnight Kiss" canta sobre a depressão pós-parto, o que eu não tenho a menor idéia de como eles escreveram. A divertida "Solitary Shell" fala sobre autismo e, para encerrar, temos "Losing Time" cantando transtornos de personalidade.
Este segundo pode ser tratado como uma música só, mas convenientemente foi dividido em várias. É a obra mais extensa e dramática, com a ótima abertura por "Overture", sendo o álbum majestral que não pode ser dispensado.
- 2003 - Train Of Thought : O Peso

Antes que alguém lhe diga que eles não tocam o tal "heavy metal pesado de verdade", mostre-lhe este disco. Não sei como esta fúria súbita domou a música destes caras, mas aconteceu e gerou um dos álbuns mais especiais.
Recheado de canções marcantes, como as viciantes "As I Am" e "In The Name of God", e da viajante canção instrumental "Stream of Consciouness", talvez seja o álbum que exija mais estômago do ouvinte, sendo mais cansativo que os anteriores, porém não menos bem trabalhado.
- 2005 - Octavarium : O Ciclo
À primeira audição, soa como uma concha de retalhados, possuindo canções longas e muito boas, porém se qualquer ligação. Isso seria verdade se não fosse pela própria "Octavarium", que fecha a obra dando conexão a todas as outras músicas. Pelo mais que tenha seus vinte e poucos minutos de música, não consegue ser cansativa ou enrolativa para quem a ouve, especialmente pela introdução no Continuum de Rudess e o solo em "Razor's Edge" de toda a alma de Petrucci.Todas as canções mereceriam uma atenção especial, mas aqui destacarei a totalmente insana "Panic Attack", a "U2" "I Walk Beside You", e as agitadas "These Walls" e "Never Enough".
É um álbum para se ouvir música a música, e curtir cada uma delas.
- 2007 - Systematic Chaos : O Obscuro
Direto da profundeza escura e caótica da música, saiu este mais recente álbum. Em "In The Presence Of Enemies", temos mais um show de composições longas, mas dessa vez mais movidas por uma cadeia nefasta e furiosa do que pelo sentimentalismo.Este mesmo sentimento é observado em "The Dark Eternal Night", "The Ministry Of Lost Souls" e na quase Opeth "Repetance".
Em meio a este lado mais sombrio, podemos ouvir a bela "Forsaken", em especial pelo riff com os harmônicos de Petrucci, e "Constant Motion" que realmente não consegue deixar ninguém parado.
O último álbum até agora lançado traz um lado menos explorado da banda, mas que traduz bem o que já foi feito por estes caras em termos de força musical.
Pois bem, essa é a banda. Se uma única frase desta te agradou, procure uma das músicas que eu citei no YouTube e conheça o mundo mágico e infinito do Dream Theater.
