terça-feira, 29 de setembro de 2009

A antipatia e os fones de ouvido

De certo não sou a pessoa mais sociável do mundo. Não vou entrar no mérito de causar uma boa primeira impressão nas pessoas, deixarei esta discussão para outra ocasião. Vou falar de uma prática simples do ser humano que, em geral, faço pouco apreço: o papo. Mas acalmem-se. Não falo de boas conversas com os amigos, mas sim dos assuntos desnecessários e burocráticos para "fazer" o social.

Se você é como eu e simplesmente gosta de ficar sozinho no seu canto, como diria um famoso personagem da TV: "Seus problemas se acabaram-se!". Sim! Isso mesmo! Inventaram os fones de ouvido!

Aí vem a parte que você aí pensa: "Mas que idiotice esse garoto está dizendo! A muito já os inventaram!". De fato. Mas hoje, eles estão por todos os lados, e isso faz toda a diferença.

Lá está você (no caso: eu; mas, enfim.). É uma quarta-feira, 07:30 da manhã. O ônibus está cheio. Você está com sono porque o House, o Adriano ou o Gérson (respectivamente, o médico do seriado, o jogador do Winning Eleven e o professor de Espectroscopia) não deixaram você dormir cedo na última noite. Seu time não vai lá muito bem. As provas muito o aborrecem. Você só queria curtir o prazer do seu silência. Eis que você encontra AQUELE conhecido! Sim, AQUELE!

Um cara qualquer da faculdade, que sabe seu nome porque te viu em alguma comunidade do Orkut e não tem muita coisa em comum com você, além de, por algum motivo sobrenatural, ter marcado a mesma opção de curso no vestibular. E, pasmém, ele poderia estar do lado de qualquer uma das outras 60 pessoas daquele ônibus empelotado de gente, mas não! Ele está exatamente do seu lado.

Daí ele começa com a argumentação. As perguntas sobre as matérias, a grade e por aí vai. O assunto não passa disso, e ele insiste no papo. Eis que vos trago a solução (ou as soluções): os fones de ouvido. Sim! Sim! Bendita seja a inclusão digital.

Tão fácil é se ter um mp3 player no bolso, ou até com celular com tal recurso, que ouvir música por todos os lados já se tornou um hábito comum a maioria das pessoas. E como a sociedade reage a isso? Como se você estivesse apenas ouvindo a sua música. É como quando você lê um livro no ônibus, por exemplo. Se alguém tenta o papo, ao menos respeita o fato de você não dar atenção.

Essa nova visão da privacidade mudou bastante as coisas (para mim, pelo menos.). Por exemplo: antigamente eu era o menino antisocial da academia que não falava com ninguém. Agora, sou um rapaz que tem gosto musical diferente e gosta de apreciá-lo de maneira independente. Interessante não?

Se você não dá papo para o colega do ônibus, não é que é antisocial, metido ou coisa do tipo. Simplesmente estava alí, fazendo o que faz todo dia: ouvindo sua música. Por quê alguém cometeria a indelicadeza de incomodá-lo?

Querem testar? Uma coisa que os fones de ouvido fazem magicamente. Eu sempre tive minhas épicas viagens ao InfoCentro, em busca das coisas mais variadas e ocultas do mundo da informática. Qual era o inconveniente? O clássico: "Posso ajudar?". Agora coloque um fone de ouvido! Sim, desligado mesmo! (Puta merda, eu já fiz isso. De fato sou antisocial.). Aha! Nada de perguntas! Nada de oferecimentos de ajuda! Você procura o que quer e só pergunta ao vendendor quando estritamente necessário (tirando um dos fones, ao menos, é claro.).

Então, vejam a minha evolução! =D

Bem, não sei qual a profundidade disso, mas só queria relatar esses novos hábitos da nossa sociedade tecnológica. E viva a inclusão digital! (E a exclusão dos chatos!!!)