
O décimo álbum de estúdio do Teatro dos Sonhos enfim ganha vida, dois anos após o lançamento conturbado de Systematic Chaos. O que me faz gostar tanto desses caras é ver como uma banda com 25 anos de estrada, continua produzindo boas músicas com freqüência e sem dar longas pausas aos shows.
De alguma forma, o Dream Theater não pára de crescer. Os números das vendas dos discos a coloca entre os 10 mais vendidos nos EUA (pelo menos antes do pequeno Michael nos dizer 'Adeus'). Agora pense nisso para um disco de 6 faixas e 70 minutos de duração.
E qual seria a mágica por trás desse sucesso? A boa música de sempre.
Faixa 01: A Nightmare to Remember
A primeira faixa é a que melhor traduz o conceito do álbum. O pesadelo tem seu início em meio a uma sombria chuva. O piano de Jordan Rudess dá a abertura nefasta ao tema da canção. A banda acorda sobre o tema com o peso que relembra suas maiores nuvens negras.
A narrativa de um acidente de carro da infância de John Petrucci é dada pelo retorno dos bons vocais agressivos de James LaBrie com direito até a uma sequência dos arriscados guturais de Mike Portnoy, senhor fã de Opeth.
As linhas prateadas surgem no céu quando se atingem os belos refrões da canção, em todas as suas nuances, em especial das linhas de bateria. Em palavras mais simples, é um mergulho nas variações de um metal progressivo de verdade, para nenhum fã de Metropolis Pt. 2 colocar defeito.
Faixa 02: A Rite of Passage
Um riff quebrado e grudendo daqueles. É assim que é contada a história de um rito da Maçonaria (eu sei lá de onde eles tiram essas idéias!). A faixa escolhida como carro chefe do disco, lançada com antecedência na forma de single virtual e com um intenso video clipe, é a que mais tangencia o trabalho anterior da banda.
É uma canção com uma sonoridade mais moderna, que acaba por sempre criticada pelos eternos conservadores desse mundo de jovens. O refrão é digno de ser repetido trilhões de vezes em qualquer abertura de show, é a nuvem negra que não te larga nunca mais.
Faixa 03: Wither
O medo do "Writer's Block" traz, nesta linha prateada, uma das baladas mais vivas já compostas pela banda. Uma melodia simples e crescente, mais um refrão de forte apelo e um solo bem concreto de John Petrucci. Talvez o brilho da canção seja dado, mais uma vez, pelas belas linhas vocais, que exigem até dos timbres mais graves de James.
É uma canção sutil que talvez passe despercebida dentre as gigantes do álbum, mas é uma pérola daquelas que bastava a você ouvir no dia certo, na hora certa.
Faixa 04: The Shattered Fortress
A última canção da Saga dos Alcóolicos Anônimos, que teve início lá trás, em "The Glass Prision". É a maior das nuvens negras do álbum, afinal, encerra a série das maiores nuvens negras da própria banda. O drama pessoal de Mike Portnoy e o alcoolismo foi acompanhado de perto por todos os fãs através de sua música.
Novos riffs muito fortes e retornos a clássicos da banda. O ciclo vicioso da canção é completado da mesma forma que se inicia, passeando por diversas passagens inesquecíveis da Saga e provando novos temas. Em meio a total agressividade de solos de guitarra e teclado, destaco a última passagem "Responsible" como a mais marcante, talvez até de toda a obra.
Faixa 05: The Best of Times
Se a canção anterior foi a maior das nuvens negras, esta é, sem dúvida, a maior das linhas prateadas. Da inspiração na vida pessoal, Mike Portnoy presta a sua homenagem ao seu pai, que falecera no início do ano. O belo tema tem início nas mãos de Rudess, até que são engolidos pelos arpejos de felicidade de Petrucci. As linhas vocais trazem, de cara, a influência do Rush, talvez de forma mais clara até hoje.
É uma canção absolutamente sensível, seja pela melodia ou pela letra, que narra os melhores momentos da infância e termina em um agradecimento. É emocionante sem precisar ser triste. Por fim, se a música inteira não for o suficiente para te convencer do que digo, ouça com atenção o solo colossal do fim da canção, que já é um clássico das guitarras de Petrucci.
Faixa 06: The Count of Tuscany
Uma aventura e tanto, compartilhada conosco pelo guitarrista da banda. De certo não é a melhor letra do disco, mas é uma canção daquelas, com todos os elementos que os clássicos da banda tem. Passagens quebradas, mudanças rítmicas, um solo psicodélico montado de efeitos e, mais uma vez, um belo encerramento de James LaBrie. Mesmo que a letra lhe desagrade, ouça com atenção e tente revelar o mistério desta curiosa viagem pela Toscana.
Este é o disco novo do Dream Theater e a minha particular visão dele. Agora resta a vocês ouvirem e concordarem (ou não!) comigo.
