O futebol é o esporte mais popular de todo o mundo. Um jogo sem lá muitas regras e restrições, onde onze jogadores de cada lado tentam colocar os pés uma bola dentro da baliza do adversário. Sim, eu sei que você já sabe as regras, mas faz parte da minha narrativa.
Então o que tem de tão especial esse tal futebol? É bem simples, é um jogo que tangencia a realidade. Numa partida de tênis, por exemplo, um jogador não precisa de nada além de seu próprio mérito para vencer. Precisa acertar mais e errar menos que o adversário e, então, é o vencedor. É assim na grande maioria dos esportes, até mesmo coletivos, mas no futebol é tudo diferente.
Os dois times se enfrentam e existem muitas questões além do mérito técnico. O jogo depende da equipe, depende do adversário, depende da arbitragem e, evidentemente, depende de sorte. Quem nunca viu uma partida daquelas onde acontece de tudo e a bola não entra e a outra equipe vai e acerta na única tentativa?
Mas retornando a questão da realidade, o futebol nos faz provar, como torcedores, toda a espécie de emoção que podemos. Hoje fui ao Maracanã, com o meu sempre companheiro de jogos Rennan, e provamos um bocado disso.
Fomos cedo comprar os nossos ingressos para a semifinal da Taça Guanabara. Entramos assim na primeira sensação sobre a partida: a ansiedade invade o torcedor, e isso apenas piora com a aproximação da partida decisiva. Afinal, futebol se decide em 90 minutos (e olha que essa é uma das poucas verdades válidas sobre esse controverso esporte).
Chegamos ao estádio. Maracanã sempre comparecido pela torcida, da emoção de fanatismo, do Clube de Regatas do Flamengo, apesar do Carnaval. A velha emoção da ansiedade ataca, a simpatia para cada um dos jogadores aparece, a alegria toma conta de todos os presentes que iniciam seus cantos, se manifesta a amizade dos que tem a paixão pelo time em comum. A euforia e o entusiasmo chegam aos seus auges, até que soa o apito e é dado início a partida.
O carinho pelo time é levantado a cada segundo, até que o inesperado acontece. Sim, a emoção da surpresa. Uma falha da defesa e uma falha grotesca de julgamento do árbitro colocam um jogador para fora e um pênalti marcado. Um novo universo de emoções sombrias é aberto para cada um dos presentes: a raiva se direciona a um único homem lá embaixo. A aflição é alimentada por cada passo do jogador em direção a bola, e lá dentro, então, está ela.
É o momento da esperança. A fé na equipe, a motivação dada por cada um. Nos atemos a elas e não largamos por um único segundo. Empurrando o time e sempre cantando.
Eis que a confusão nos acomete. Uma expulsão sem qualquer explicação do líder da equipe. Todos se entreolham com a mesma expressão contendo a total falta de compreensão. Ainda sim, a fé continua, mesmo que a raiva esteja sendo fritada em ódio.
E o tempo passa. Esse tem um efeito incrível sobre as emoções dos torcedores. A angústia toma forma e o medo da derrota cresce, a medida que a paciência atinge o seu limite. A preocupação atinge todos da mesma maneira.
Josiel entra em campo. O homem com a responsabilidade e talento para fazer o que nenhum dos outros fizera até aquele momento, o gol necessário. A fé. Juan faz o cruzamento e ele escora para o fundo das redes. A alegria invade novamente os nobres corações dos torcedores. E é quando estamos felizes que abaixamos a guarda para a tristeza: o gol é anulado.
O sofrimento se estende por incontáveis minutos. A hostilidade passa a ser visível, para com os jogadores, o técnico, o juiz e até os próprios torcedores. Um bola é ajeitada e batida de longe, sofremos o segundo gol. Apesar da desvantagem numérica, esse é o duro golpe final. A frustração já passa a ser compartilhada. A ira se manifesta em suas diferentes formas, pelas palavras menos usuais. O orgulho é despedaçado e o pânico dá lugar para a tristeza.
Mesmo continuando e apoiando, mesmo fazendo um gol, que tracejou aquela fé novamente mas fora engolido pela aflição do pouco tempo restante, a história pouco mudou. O mau-humor e a irritação estouravam individualmente. Sofremos um último gol e o jogo se dá por encerrado.
A humilhação chega beirando o silêncio. O constrangimento e a vergonha da situação que todos participavam. O desapontamento com aqueles a quem se admira e, enfim, a decepção.
E você vai me perguntar, e para que você vai voltar lá? Por quê vai insistir em passar por isso tudo mais tantas e tantas vezes, como sabemos que acontecerá? A resposta é bem simples: por que se ama. Se ama na tristeza e na felicidade, na satisfação e no descontentamento. Um torcedor de verdade não desiste de torcer, assim como nenhum homem de verdade desiste de viver. Pelo mais difícil que se seja.
É a felicidade, que tão pouco dura, que faz tudo valer a pena.
Seria melhor, apenas, se aprendessemos a evitar os sentimentos obscuros limitantes, mas nossa natureza humana não permite que seja tão simples assim.
Torcer é viver, e vice-e-versa.
Então o que tem de tão especial esse tal futebol? É bem simples, é um jogo que tangencia a realidade. Numa partida de tênis, por exemplo, um jogador não precisa de nada além de seu próprio mérito para vencer. Precisa acertar mais e errar menos que o adversário e, então, é o vencedor. É assim na grande maioria dos esportes, até mesmo coletivos, mas no futebol é tudo diferente.
Os dois times se enfrentam e existem muitas questões além do mérito técnico. O jogo depende da equipe, depende do adversário, depende da arbitragem e, evidentemente, depende de sorte. Quem nunca viu uma partida daquelas onde acontece de tudo e a bola não entra e a outra equipe vai e acerta na única tentativa?
Mas retornando a questão da realidade, o futebol nos faz provar, como torcedores, toda a espécie de emoção que podemos. Hoje fui ao Maracanã, com o meu sempre companheiro de jogos Rennan, e provamos um bocado disso.
Fomos cedo comprar os nossos ingressos para a semifinal da Taça Guanabara. Entramos assim na primeira sensação sobre a partida: a ansiedade invade o torcedor, e isso apenas piora com a aproximação da partida decisiva. Afinal, futebol se decide em 90 minutos (e olha que essa é uma das poucas verdades válidas sobre esse controverso esporte).
Chegamos ao estádio. Maracanã sempre comparecido pela torcida, da emoção de fanatismo, do Clube de Regatas do Flamengo, apesar do Carnaval. A velha emoção da ansiedade ataca, a simpatia para cada um dos jogadores aparece, a alegria toma conta de todos os presentes que iniciam seus cantos, se manifesta a amizade dos que tem a paixão pelo time em comum. A euforia e o entusiasmo chegam aos seus auges, até que soa o apito e é dado início a partida.
O carinho pelo time é levantado a cada segundo, até que o inesperado acontece. Sim, a emoção da surpresa. Uma falha da defesa e uma falha grotesca de julgamento do árbitro colocam um jogador para fora e um pênalti marcado. Um novo universo de emoções sombrias é aberto para cada um dos presentes: a raiva se direciona a um único homem lá embaixo. A aflição é alimentada por cada passo do jogador em direção a bola, e lá dentro, então, está ela.
É o momento da esperança. A fé na equipe, a motivação dada por cada um. Nos atemos a elas e não largamos por um único segundo. Empurrando o time e sempre cantando.
Eis que a confusão nos acomete. Uma expulsão sem qualquer explicação do líder da equipe. Todos se entreolham com a mesma expressão contendo a total falta de compreensão. Ainda sim, a fé continua, mesmo que a raiva esteja sendo fritada em ódio.
E o tempo passa. Esse tem um efeito incrível sobre as emoções dos torcedores. A angústia toma forma e o medo da derrota cresce, a medida que a paciência atinge o seu limite. A preocupação atinge todos da mesma maneira.
Josiel entra em campo. O homem com a responsabilidade e talento para fazer o que nenhum dos outros fizera até aquele momento, o gol necessário. A fé. Juan faz o cruzamento e ele escora para o fundo das redes. A alegria invade novamente os nobres corações dos torcedores. E é quando estamos felizes que abaixamos a guarda para a tristeza: o gol é anulado.
O sofrimento se estende por incontáveis minutos. A hostilidade passa a ser visível, para com os jogadores, o técnico, o juiz e até os próprios torcedores. Um bola é ajeitada e batida de longe, sofremos o segundo gol. Apesar da desvantagem numérica, esse é o duro golpe final. A frustração já passa a ser compartilhada. A ira se manifesta em suas diferentes formas, pelas palavras menos usuais. O orgulho é despedaçado e o pânico dá lugar para a tristeza.
Mesmo continuando e apoiando, mesmo fazendo um gol, que tracejou aquela fé novamente mas fora engolido pela aflição do pouco tempo restante, a história pouco mudou. O mau-humor e a irritação estouravam individualmente. Sofremos um último gol e o jogo se dá por encerrado.
A humilhação chega beirando o silêncio. O constrangimento e a vergonha da situação que todos participavam. O desapontamento com aqueles a quem se admira e, enfim, a decepção.
E você vai me perguntar, e para que você vai voltar lá? Por quê vai insistir em passar por isso tudo mais tantas e tantas vezes, como sabemos que acontecerá? A resposta é bem simples: por que se ama. Se ama na tristeza e na felicidade, na satisfação e no descontentamento. Um torcedor de verdade não desiste de torcer, assim como nenhum homem de verdade desiste de viver. Pelo mais difícil que se seja.
É a felicidade, que tão pouco dura, que faz tudo valer a pena.
Seria melhor, apenas, se aprendessemos a evitar os sentimentos obscuros limitantes, mas nossa natureza humana não permite que seja tão simples assim.
Torcer é viver, e vice-e-versa.
