
"Serei breve, ou ao menos tentarei.
Essa foto parte do post mais recent do Cleber (/dunkel_frosch) que foi demasiado inspirador.
A infinita batalha entre o bem e o mal tem início desde os tempos mais primórdios e assim existirá até o fim dos tempos, ou até mesmo além do fim de coisas mais complexas do que esta dimensão. Seja esta luta representada das mais diversas formas em diferentes culturas e tempos, ela apenas representa uma única coisa, a busca do equilíbrio. Equilíbrio que é encerrado a partir do momento quando se inicia este universo, e que passa a ser buscado novamente, sendo então o seu alcance representativo do fim.
Sim, o equilíbrio é inatingível, mas é a situação ideal. O instante eterno onde as duas forças existentes são iguais, onde sombra e luz tem a mesma dimensão.
Sem sombra existe luz? Sem luz existe sombra? Não, assim como não haverá bem se não houver mal, e vice-e-versa.
A busca dessa igualdade de tamanhos, entre trevas e luz, não vem apenas de batalhas diretas, representadas por seres fantásticos, mas sim vem de todos os lados.
Grande parte dos homens hoje não pensam nisso? Não. Quem está contra isso então? Os outros homens que restam, a própria natureza, todo o resto estará contra, se o alvo for o desequilíbrio. Porém a escolha de que lado estar parte de cada um.
Sim, o livre-arbítrio, bem citado, está presente dos dois lados, logicamente. Antes do equilíbrio universal existem muitos outros, inclusive um no interior de cada pessoa, e esta sim decide de que lado está. A igualdade passa a possuir então uma complexidade enorme, pois aliás pq o equilíbrio existe se cada um escolhe seu lado?
Oras, ele não existe. É hipotético e ideal. Por isso sempre existirá o desiquilíbrio para que o equilíbrio seja o objetivo.
É tudo uma questão de ponto de vista?
Não se vê a morte, a dor e o sofrimento como caminho para amor, a vida e a felicidade.
Não é o ponto de vista, ou seja, a maneira com que se interpreta as coisas que está em jogo, e sim os objetivos que cada um deseja alcançar, e que preços vale se pagar, seja individualmente, coletivamente internamente ou externamente. Nestas atitudes se diz de que lado se encontra algo.
Observação sobre o Silmarillion: quando existia apenas Eru existia nele a tal igualdade. Ao serem criados novos seres, cada um partiu de uma parte deste equilíbrio, pois a unidade deles representaria o próprio Eru, mas não com características divididas igualmente, e sim fragmentadas entre cada um deles. Assim veio Melkor, mais representativo do lado sombrio, que buscava o desequilíbrio da Canção para a maneira com que ele queria.
Enfim, o bem e o mal sempre existiram e existirão. Apesar de tudo o que foi dito, a diferença entre os dois é bem simples. O mal busca ser maior que o bem, almeja dominá-lo. O bem busca a harmonia, não ser maior ou menor.
O dragão branco se levanta, abre as asas e voa ao infinito. Ele o avista, e o admira.
O dragão negro avista o infinito, e o cobiça, o deseja.
O dragão branco entende naturalmente que esse desejo é tolo pois aquilo é algo inatingível, e portanto desnecessário.
O dragão negro lutará até o fim, seja necessário o que for para atingir seu objetivo.
Bem e Mal...
Luz e Trevas...
Duas existências... uma unidade.
A questão não é saber apenas de que lado estar, mas também o que se deve aproveitar de cada lado, para assim obter o tantas vezes citado equilíbrio, e de seus desejos.
Obrigado pela atenção, e acho que escrevi demais
Carlos Eduardo
Originalmente postado em Bards Around, em 25 de Janeiro de 2006
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Endless Dream of The Dragon
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